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15 de julho de 2014

Mais uma história de amor não compreendido

Em meio a tanta gente ela ainda conseguia se sentir só. Forjava sorrisos e dizia em simpáticos cumprimentos que estava bem. Os olhos mentiam hipocritamente com um brilho sutilmente feliz. De repente seu olhar encontrou um sorriso. Aqueles dentes bem alinhados e aquela boca que ela conhecia bem. Ele estava lá como já era de se esperar, mas para ela encontrá lo sempre lhe causava surpresa. Notou que o cabelo dele estava penteado para o lado que ele não costumava deixar. Ele andou até ela e cumprimentou a. Ela sorriu sem esforço e sentou à mesa dele. As tias do quase nascido Arthur entraram no salão vestidas de criança, apresentaram um teatrinho simulando a infância do pai do Arthur, o Marcelo.
- Engraçado ne?
- Exatamente igual à nossa infância mesmo, minhas irmãs são ótimas.
- E seu irmão está muito ansioso para a chegada do Arthur?
- Provavelmente sim porque eu que sou tio estou muito. 
- Você será um bom pai com certeza.
- E como você sabe disso?
- Você adora crianças... minha intuição também diz.
- E ela diz com quem vou me casar?
Aline gelou, ela gostaria muito de dizer a ele que se dependesse dela os dois se casariam.
- Olha Aline, minhas irmãs estão fazendo aquele dia em que você fez xixi no Marcelo e ele te soltou.
- Nossa que vergonha.
- Pare de ser boba, você era apenas um bebê. Meu irmão nunca teve jeito com criança, está super ansioso e preocupado com a chegada do Arthur.
- Mas pelo menos ele teve a iniciativa de entrar para um curso de pais. Você entraria para um curso de pais Mário?
- Acho que não precisaria.
As homenagens ao casal Marcelo e Flávia acabaram e agora os convidados estavam a vontade para conversar e comer os quitutes do chá de berço.
Aline se divertia conversando com Mário. Eles falavam da infância e percebendo se que o destino os quisera tão pertos desde o nascimento. A mãe de Aline era prima do pai de Mário e a mãe dele era melhor amiga do colegial da mãe de Aline.
Um amor simples, uma amizade espontânea sem fingimos, mas o medo. O medo dos dois de estragar tudo. O medo de se arriscar. Nem todo mundo tem a sorte de amar o melhor amigo de infância. Aquela pessoinha que você beliscava por ciúmes do seu pai por brincar com ele. Aline é filha única e Mário tem 3 irmãs e 1 irmão. Mas até a adolescência eles ainda não sabiam que estavam destinados a pertencer um ao outro. Quem não quer um amor assim? Caro leitor, se você tem um amor assim, puro, de infância, repare bem. Arrisque se! Sua história pode ser linda ou traumatizante. Mas posso te dizer que das duas formas ela sempre dará uma nova crônica. A vida é para ser lida. Quem te lê pode ser um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, o mundo inteiro.
Sonhei com um amor infantil, com essa pureza de encontrar alento ao segurar as mãos de alguém. Não sou mais criança mas posso voltar a ser para encontrar sorriso no caos. E é assim que tem que ser. Aline e Mário precisam voltar a ser criança para arriscar se a uma cicatriz ou a ganhar o mundo no olhar um do outro. O amor é assim, nasce como uma criança. Por mais planejado que seja nunca se sabe o dia exato em que ele começou a existir. O amor é um bebê que precisa de atenção, de cuidados, de carinho, de afeto, de proteção, de dois pares de mãos para abriga lo. O amor é um bebê que nunca envelhece.
1 de fevereiro de 2014

Sem barreiras


Ele pintava aquele rosto com a maior das delicadezas. Fitava o papel como se houvesse algo além daqueles traços perfeitos. Suspirou, um suspiro profundo, logo faltou lhe o ar que foi recoberto por uma única lágrima que rodopiou em sua face branca. Aqueles traços perfeitos, como queria que eles estivessem presentes agora, tomou uma xícara nas mãos e levou a até a boca, deixou apenas que tocasse seus lábios não se permitiu tomar nem sequer um gole daquele liquido preto que lembrava apenas o calor que ela um dia transmitira a ele. Tudo fazia o lembrar se dela, a seda das suas camisas finas lembram o toque daquelas mãos delicadas que um dia ele aqueceu, a lua lembrava lhe o brilho daquele olhar singelo que por tantas vezes fitou o com amor, as rosas lembram o cheiro daquela pele macia que por tantas vezes o aqueceu, as margaridas lembravam agora mais do que nunca a palidez que ele vira na véspera.
Sua pequena, a eterna pequena dele havia partido e deixou nele lembranças, a maioria boas, então lembrou se de como seria legal se eles tivessem filhos, se culpou por ser estéril. Mas Deus sabe o que faz, com tanto amor que ele a amara seria um castigo ver os mesmos genes daquela ternura vivos e pior com a mesma dor que ele sentia, a dor da perda. Seria ainda mais doloroso se ele visse sua filha ou filho com um olhar triste, então lembrou se do olhar triste dela quando o médico deu a sentença da esterilidade. Aquele olhar triste que consolou o muitas vezes, apesar de ser o mais abalado, lembrou se de como ela queria ser mãe. Para vê - la feliz ele seria capaz de qualquer coisa. Mas agora já não era mais possível, ela partira para sempre. Ela partira, mas ali continuara sua essência, a essência que ela sempre transmitira, a de um amor simplesmente sem barreira. Um amor que excede os limites da vida. Tentou lembrar - se apenas dos momentos felizes que tiveram e ficou contente por terem sido maioria. O que aconteceria com ele, ele não sabia mas jurou a si mesmo que nunca deixaria que ela morresse dentro de si. Viveria como ela gostaria que ele vivesse, mesmo que isso doesse muito. Em memória do amor de sua vida, amaria sem barreiras e faria tudo para ajudar as pessoas com toda a bondade que era dela. Faria de sua amada seu espelho, tentaria ser feliz e fazer as pessoas felizes através de sua arte. A arte sem barreira através de um amor sem limites. 
14 de dezembro de 2013

A menina dos olhos cansados


Andava com tanta tralha que ninguém se oferecia para ajudar a carregar por medo de não conseguir. A menina dos olhos castanhos tinha por volta de seus 17 anos. Tão despreocupada, sem neurose por beleza não se importava em manter os cabelos penteados. Tão tímida essa garota me intrigava diariamente. Eu nunca fui do tipo de garoto que repara em meninas tímidas. Aliás as tímidas nunca fizeram meu tipo mas havia algo que me chamava atenção na garota dos olhos cansados. Passei a repará – la todos os dias no intervalo. Ela sempre estava sozinha mas isso não significava que ela não tinha amigos. A garota sentava – se todos os dias em um banco pintado de azul no patio arregaçava as mangas do agasalho e ficava encarando o nada com fones de ouvido e as vezes um livro ou um caderno nas mãos. O sol em seu rosto todas as manhãs parecia essencial para aquela garota. Ah, quando chovia ela sentava – se na arquibancada da quadra poliesportiva e continuava fitando o nada que agora era chuva. Se algum de seus colegas chegasse e sentasse junto a ela no banco ela dava uma atenção que me intrigava mais ainda. Mostrava total interesse no assunto e quando a companhia ia embora ela voltava a fitar o vento. Eu também nunca fui do tipo de garoto que tem um lugar para ficar, sempre estava por aí andando e conversando com pessoas menos interessantes que a garota do banco azul. Eu nunca deixei de repará – la desde o dia que percebi que ela sempre estava ali, ao menos por um minuto eu teria que passar perto e repará – la, mas nunca deixei que nenhum dos meus amigos percebesse que eu olhava para ela todos os dias. Os meses se passavam e ver aquela garota era essencial para mim. Não sei que doença foi essa que meu cérebro desenvolveu que se eu não a visse passava o dia desanimado. Acho que já estava ficando louco ou neurótico. Que estupidez a minha, eu nunca fui um cara tímido podia muito bem chegar nela dizer um “oi” e perguntar seu nome. Geralmente não era necessário perguntar o nome das pessoas no meu colégio pois as camisetas tinham o nome bordado. O que me intrigava mais ainda, fazendo frio ou calor a garota sempre estava de agasalho.
Passaram – se seis meses e a garota continuava ali com sua mesmice. Eu sempre notava algo diferente quando havia, como aquela corrente que ela apareceu usando em uma segunda-feira. Outro dia notei que ela estava usando óculos, achei que ela ficou bonita usando óculos. Mas foi só por alguns dias porque depois acho que ela começou a usar lente de contato pois nunca mais a vi usando óculos. Em uma quarta – feira esqueci de disfarçar e me perdi nos olhos cor de mel da garota. De repente a garota sem nome encontrou meu olhar no dela e sua reação foi perturbadora. Ela levantou – se rapidamente e vi suas bochechas enrubescerem em um rosado tão angelical que me fez sonhar à noite. Sonho perturbador, por que eu não conseguia parar de reparar aquela garota? Por que eu não tinha coragem de dizer um “oi”? Eu nunca fui um cara tímido. Depois desse episódio não vi a garota por quase um mês. Senti uma preocupação arrasadora por àquela desconhecida. Resolvi contar tudo a minha melhor amiga que era meio metida a psicologa, uma maluca completa na verdade. Minha amiga disse que eu sofria de amor platônico. No começo eu não quis aceitar mas depois de algumas pesquisas pela internet aceitei o que eu sentia por ela. Uma loucura, geralmente são garotas que se apaixonam platonicamente.
Em uma tarde de sexta – feira, dia de aula no auditório deitei – me no chão próximo à porta e fiquei pensando em formas de atrair a garota até mim. Quando virei para ver o movimento no pátio dei com o olhar na garota que estava sentada de frente para mim. Levei um susto e percebi um meio sorriso naquele rosto de olhar cansado. A cada dia cada vez mais linda e seu olhar cada vez mais cansado e distante.
Resolvi colocar minha melhor amiga em ação. Pedi a ela para procurar a garota e tentar aproximar – se dela. No começo ela não aceitou a ideia mas depois lembrei – a que ela só tinha passado em matemática porque a ajudei. Foi tão inútil a ajuda da minha amiga. A garota dos olhos cansados tão indecifrável ignorou minha melhor amiga totalmente todas as vezes que ela tentou se aproximar. Eu estava cada vez mais triste por não conseguir me aproximar da garota e tentava tapar o sol com a peneira beijando todas as moças que quisessem um beijo meu. Estupidez a minha, não dava para trocar sorvete por jiló. Que comparação idiota, uma moça tão perturbadora e intrigante com toda certeza era melhor que minha sobremesa favorita.
Em uma terça-feira de inverno chequei meu e-mail para ver se havia algo novo sobre o jogo que eu jogava. Havia um e-mail anônimo, achei estranho por não estar no lixo eletrônico pois geralmente e-mail anônimos são spans. Lá estava a coisa mais inesperada da minha vida. Um e-mail da garota dos olhos cansados.

Não que eu não ache você interessante, mas é só que eu não estou interessada em conhecer você. Não quero que saiba meu nome nem mande sua amiga bisbilhotar minha vida. Eu sei que você me vigia e procura a cada intervalo uma chance de falar comigo. Não sei qual o seu problema, pois há tantas garotas interessantes e você perdendo seu tempo percebendo uma garota como eu. Não pense que foi sua melhor amiga que mandou esse e-mail para você parar de ficar com essa neurose e nem queira saber como eu descobri seu e-mail. Só digo que foi muito difícil. Talvez nunca mais você me veja, pois mudarei de cidade esse fim de semana. Um até logo! De A...

Droga ! Como ela pode fazer isso comigo ? Está tão na cara que eu reparo nela todos os dias ? Lembrei – me da voz de minha amiga “todos os dias você está com mais cara de retardado que no dia anterior reparando essa garota, todo mundo já percebeu mas ninguém tem coragem de se meter com você por causa da sua fama de ter batido naquele garoto que se meteu com meu irmão, sorte a sua porque até eu zoaria você em publico se não fosse constrangedor o bastante para você nunca mais falar comigo (risos)”

Realmente, nunca mais a vi mas aquela garota nunca saiu do meu pensamento. Aquele olhar cansado, talvez entristecido e muito indecifrável nunca saiu da minha memória. Espero um dia encontrá – la e amá – la como a amei tão desconhecidamente, como nunca amei ninguém. Um amor de alma, talvez muito mais verdadeiro do que platônico. Nunca entenderei aquele e-mail e nunca a entenderei, afinal é preciso conhecer muito mais que um olhar cansado para entender uma pessoa mas é preciso apenas ver com os olhos da alma para amá – la. Se A for a inicial do nome dela como suponho que seja, nada terá sido tão perfeito quando viver esse Amor desconhecido, sofredor mas valioso. 
2 de dezembro de 2013

Uma tarde de saudade


Saíra do apartamento andando sem rumo pelo corredor entre os prédios, fizera uma caminhada de uns 20 minutos que parecera uma vida inteira. Tentara ocupar o tempo ou distrair se com um jogo bobo no smartphone mas não conseguira, sentira um sentimento estranho que não lhe causara dor nenhuma. Sentimento que causara-lhe uma inundação de memórias.
Estivera com ele em um dos melhores dias de sua vida, fotografara em muitos lugares do condomínio, em locais que olhos comuns diriam ser horríveis e desajeitados, lembrara das poses que fizera e dos sorrisos que tirara dele naquela tarde nublada. Lembrara do olhar vivo dele e do batom que usara, aquele tom de vermelho tirara um "uau" da voz dele, lembrara do all star vermelho que usara naquela tarde, da camiseta do filme star wars e da saia cheia de estrelas como uma galáxia, sentira o perfume adocicado que usara naquela tarde.
Depois de sentir-se sentira o perfume dele e a doce melodia daquela voz que parecia cantar as mais belas notas já inventadas no universo. Lembara da roupa que ele vestira, àquela camiseta branca com estampa do disco The Wall da banda Pink Floyd que ele tanto gostava, aquela calça jeans sempre fora apenas uma calça mas naquele dia nublado era a calça mais bela que já vira. Sentira o abraço quente e desajeitado dele, sorrira. Sentiu-se confortável com o calor dele fizera um pouco de frio naquela tarde mas nada de pedisse um agasalho para cobrir sua linda camiseta.
Recordara-se de gravar uma playlist idêntica à sua no iphone dele e sair cantarolando as músicas juntos e dando gargalhadas e às vezes sorrisos envergonhados quando a letra tocava os sentimentos. Sentiu o beijo quente dele e ...
Acordou do seu sonho, tudo aquilo havia acontecido mas agora ele estava longe demais para ficarem juntos. E ela era apenas uma garota dominada pelo cansaço dormindo no banco do pátio do condomínio. Triste ?! Não, ela estava muito feliz, estava feliz por reconhecer pelo menos na hora do adeus que ele realmente amara ela, estava feliz por reconhecer que apesar de nunca achar que era boa o bastante para o seu amigo. Deu a ele o que sempre quis. Um beijo! Arrependeu-se por deixar com ele um gosto maior de saudade e escreveu um e-mail :

O vento bate em meu rosto e ando na estrada vazia lembrando me de tantas coisas, de como foi estar aqui em outros dias de sol. Desculpe se perdi algumas memórias, sou uma caixinha de imperfeição como você sempre me dizia, sou a anormal e você o normal e é por isso que juntos somos perfeitos. Quero que saiba que sempre te amei mas sempre achei que você poderia encontrar um pessoa melhor que eu. Não sei se você voltará e pensando bem podemos prosseguir sem estarmos presencialmente juntos. Espero que seja feliz com seu pai na Alemanha e com sua faculdade. Sempre seremos amigos e me perdoe por nunca compreendê-lo ou acreditar no que você dizia. O tempo e as experiências nos faram amadurecer e logo logo você se lembrará de mim apenas como sua melhor amiga e não como alguém por quem você se apaixonou. Mande notícias. Um abraço, Aline.

Aquele e-mail cheio de poesia nunca fora enviado. Levantou-se do banco sentindo saudade e ficou feliz por perceber que quem tem saudade tem amor.


(Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, eu inventei tudinho.)  

29 de março de 2012

Questão de perceber!


Viajou. Foi para bem longe, distante de tudo e todos seu lugar incomum. Fechou  os olhos e refletiu no vazio. Ela tinha certeza que sentia e sentiria falta daquela bagunça em seu peito . Um emaranhado de doces ilusões e decepções que hoje ela agradecia o fato de terem acontecido.
Naquela tarde não houve voz, sorrisos, sons ou reflexões. Dormiu profundamente dando descanso a sua alma, mente e coração. Já era fim de tarde quando acordou, sentiu um vazio, porém este não doía tanto, era natural e se chamava fome. Levantou se sem disposição, abriu a geladeira e retirou de lá um queijo, branco como a face que quem um dia desejou esquecer e remover como estaca que era cravada em seu peito. Comeu rapidamente e se pôs frente ao espelho que refletia para ela uma face estranha enxaguou sua boca e tomou um comprimido. Algo para dormir. Voltou para o seu leito sem graça.
Horas depois despertou.
...
Quantos "porquês" cabem dentro dessas inofensivas reticências ? Inúmeros. Ela tinha essa certeza ao digitar seu nome em um e-mail qualquer em seu notebook velho fosco. 
...
Estou bem mãe!
            Um abraço Alice.  

Fechou os olhos e desejou ter sono, mas era inútil desejar e mais alguns comprimidos daqueles a fariam mal, não havia fomo ou sede, apenas morbidez e sangue pulsando lentamente. O som era apenas o de sua respiração forte e forçada. O dia estava claro demais, quente e contraditório. Culpou o dia mais a contrariedade vinha dela.

Era verão como ela amava o sol forte, como adorava sair e contemplar as plantas, apesar de estar com um péssimo humor saiu da velha choupana e foi passear naquela caminho de arvores plantas e tudo o que um dia te alegrou na infância. 

Andou sem destino como era ruim a falta da alegria de seus avós naquele lugar e como era triste o estado em que se encontravam as coisas por ali. A chácara de seus avós que costumava ser tão alegre não deixou de confortar seu coração com aquela ilustre presença de um sentimento bondoso de lembranças. A menina   de 7 anos que costumava brincar ali havia crescido, agora com 18 ainda sentia aquela alegria ao pegar o barro com as mãos e molda lo em forma de coração. Sorriu.

Horas depois foi surpreendida, seu amigo de infância que ela nem se recordava mais de como era seu nome escancarou a porta e deu lhe um susto. Ela sentiu naquele momento o sentimento mais inusitado e inesperado. Estava forte e a esmagou com um forte abraço e palavras de carinho, quanto tempo, recordou seu nome, Henrique, sorriso esplendido como o brilho da lua. Lembrou se que ele se apaixonou por ela aos 15 anos. Riu. Mas viu em seus olhos o brilho do amor e não deixou se convencer que ele havia esquecido a. Conversaram por horas e desde o primeiro segundo em que ele a tocou ela estava decidida daria uma chance a si mesma. Não se retrairia por seu ultimo relacionamento ter sido um fracasso.  

Abriu um velho livro e encontrou nele a seguinte frase:
" Tem circunstâncias que ocorrem sem objetivo algum, e basta a percepção do coração para perceber que o motivo é não deixar escapar o amor."

Reforçou a ideia ela sempre o havia amado só não havia percebido antes, pois tentava ser feliz no impossível, no que não era destinado a ela.


12 de janeiro de 2012

Borboletas



Voam graciosamente de um lado para o outro livres. Outrora se encontram presas por um sentimento ininterrupto de aflição ou de qualquer coisa que eu ainda não saiba. Tão graciosas, belas de aspecto leve e ao mesmo tempo pesadas dentro de mim, como se fossem uma tonelada de chumbo com asas se debatendo em paredes sensíveis , querendo se soltar para a imensidão. Elas sempre voltam, -disse um certo compositor- e o seu infeliz jardim sou eu. Ora, ora o compositor estava correto elas voltam, mesmo quando eu não consigo vê las, aliás eu nunca posso vê las mas elas estão lá exercitando sua vontade de fugir de dentro de mim. Há meses atrás elas se concentravam apenas em meu estomago, porem nos últimos dias elas tomaram posse dos meus pulmões me tirando o ar. E porque não dizer que elas estão por toda parte em meu corpo?
Pobres seres indefesos não tem culpa alguma do meu ódio por eles, seres tão graciosos por que fui compara los com meus sentimentos infames? Era questão de necessidade referir aos meus sentimentos de forma menos magoante. Se pudesse feriria meus olhos só para não ver aquele ser apaixonante, mas não podia ele me prendia me deixando de mãos atadas, como nenhum já havia feito. Em posição fetal me contorcia na cama todas as noites esperando uma chance de tentar parar de pensar naquele alguém tão bom e tão agonizante. Vê lo era a forma mais generosa e espontânea de ferir alma, corpo e coração. Os arrepios eram os motivos de vergonha seguidos pelas lágrimas secas, e as borboletas eram apenas as consequências de um emaranhado de problemas resultados de uma paixão mal correspondida e porque não dizer incompreendida. E a constância de tudo era o motivo da própria existência. Quem me dera pudesse algum dia libertar aquelas pobres borboletas.



25 de julho de 2011

A Ultima Lágrima!

Eu o via com o coração e não com os olhos, eu o sentia com a alma e não com o meu corpo, eu o tocava com todo o meu ser e eu o amava por completo com tudo pra dizer e sem conseguir falar, pois me faltava o ar. O que um dia eu pensei ser platônico e uma utopia eu descobri que era a mais bela obra do destino.
A mais bela musica, a mais perfeita iluminação, e o brilho mais lindo que eu já vira em toda minha vida, o brilho da tua face iluminando a minha, o vestido não importava muito mas era lindo véu e grinalda como faziam no seculo 18. A igreja era em Verona, Itália a cidade do amor.
Seus olhos azuis cintilavam como a agua do lago, sua voz soava tão suavemente como a seda em minhas vestes.
  • Aceita Serena como sua legitima esposa?- indagou o padre seu melhor amigo.
  • Sim eu aceito Serena como minha legitima esposa... – soou a voz de seda
    Como era encantadora a forma como eu ouvi meu nome e como aquele sim soava como música para os meus ouvidos. Senti uma pontada de um certo medo e um grande calafrio descendo por minha cabeça ate ter passado por todo o meu corpo, como era diferente o liquido reconhecivelmente salgado e como era distinto e novo aquele sentimento tão conhecido. Pisquei por duas vezes para verificar se não era um sonho e então senti-me rigidamente emocionada e percebi como eram suaves as lagrimas que desciam pelo meu rosto e como era insignificantes as brisas que mordiam minha pele as quais em dias anteriores me faziam gemer de tristeza e implorar que o sol voltasse.
    Então aquela foi a ultima lagrima que eu derramei por ele a qual foi a mais sincera e a única que me trouxe uma contradição, a lagrima que me fez perceber o quanto eu lutei e o quanto parecia impossível, a força do amor estava naquela pequenina lagrima que lampejava em meus olhos e construía uma fantasia e a realização do meu maior sonho o de estar com ele  ate que a morte nos separasse como se ela pudesse fazer isso pois a eternidade era tudo que eu tinha em mente e o que construía meu viver.
24 de julho de 2011

Medo!

Naquele dia ela teve uma tarde bem agitada e fora dormir depois de algumas discussões e se culpando de simplesmente existir ela se esmagava por dentro. Mas talvez ela não estava se esmagando por dentro e sim sendo esmagada, sua culpa imaginária era tão grande que ela achava que o que estava acontecendo ela mesmo havia provocado.
Colou a cabeça entre os dois travesseiros e tentou dormir se cobrindo com vários cobertores como se ela quisesse se esconder. Tentou dormir mas estava agitada e rolava de um lado para o outro, até que enfim ela pegou no sono. Seu sono não era profundo e não passava de uma soneca, ela não pregava os olhos de jeito algum, dormindo apenas pequenas sonecas. Quando o cansaço não dava mais ela pegou no sono mas já eram quase quatro da madrugada ela não tinha muito tempo para dormir.Em seu sono profundo pelo cansaço ela sonhou, se é que se podia dizer que aquilo eram sonhos. Foram três:
 No primeiro sonhou que estava em uma floresta linda e que apesar de um corpo mais juvenil ela se sentia completamente uma criança naquele sonho. ela conversava com um Rouxinol, ele cantava seu melhor canto e o mais magnifico de todos enquanto ela só conseguia olhar pasma e admirada para aquele pássaro perfeito. Rouxinol lhe dizia coisas lindas e ela só conseguia concordar com ele sem ao menos uma palavra. A floresta era magnifica e cheia de brilho tinha um verde de ser contemplado parecido com o verde das esmeraldas com algumas diferenças, era um verde mais bonito de se olhar, mais ofuscante, mais magnifico, mais iluminado e mil vezes mais agradável. Mas aquele pequenino Rouxinol não ficava escondido por trás daquela beleza esplêndida da floresta, ele era de uma cor graciosa como a Ametista e brilhante como o dourado do melhor Ouro, sim ela estava vendo a melhor das cores a mistura da Ametista com Ouro e o reluzente através da lua refletido na Prata. Aquele Rouxinol em que ela se apaixonou parecia ser maior que uma criança, talvez maior que ela, não um simples pássaro, ela não via a forma apenas a cor e não podia imaginar o rosto era esplêndido demais era surreal.
Depois daquele sonho ela acordou mais calma porém um pouco assustada com aquela beleza, talvez assustada demais, sua respiração era completamente irregular e ela já não conseguia pensar nada até que depois de alguns minutos talvez segundos ela voltou a dormir e sonhou novamente.
Aquele segundo sonho era atordoante ao mesmo tempo inocente demais como a inocência de crianças. Sim crianças haviam muitas e ela sorria alegremente, sorria de verdade com as lembranças do Rouxinol. Parou para refletir e de repente acordou do seu pensamento e olhou ao redor. Ela estava no meio de uma enorme cama elástica cercada por crianças, algumas estavam conversando com ela e de repente ela já estava em outro lugar. Um lago de pedras cercado por uma floresta era um lugar amplo e todas as suas coisas estavam em uma mochila preta acima de onde a água alcançava. De repente ela tentou sair mas se sentia sufocada demais. A água estava agitada e começava a subir ate encostar na sua mochila e varias pessoas entravam eufóricas roubando-lhe a paz naquele lago e como na velocidade da luz ela retornou ao episódio da grande cama elástica. Eufóricas como as pessoas do lago as crianças começaram a gritar e a pular jogando-a de uma lado a outro na cama elástica, ela estava agonizada. Será que roubara o sonho de alguma outra pessoa ou havia sido roubada do seu sono calmo? Ela não sabia mas logo acordou sufocando um grito e um soluço e as lágrimas rolaram, duas brilhantes lágrimas e ela não sabia porque, mas pregou os olhos vencida novamente pelo cansaço físico e talvez mental demais para ser físico na verdade e desta vez não sonhou imediatamente demorou mas foram apenas alguns segundos.
Naquele seu ultimo sonho pesadelo ela estava completando quinze anos e acabará de chegar do colégio mas não fora para casa. Ela estava em um lugar familiar porém desconhecido, e todas aquelas pessoas eram familiares mas nenhuma da sua idade. Estavam sentadas em cadeiras de bar com o nome grafado e desbotado de algumas cervejas, as mesas também eram de bar, mas não tinham nomes estavam bem enferrujadas e velhas. De repente aquelas pessoas familiares - porém nenhuma era um amigo ou amiga - se levantaram a encarando e cantando os seus parabéns e mais uma vez ela reprimia um soluço e tentava conter as lágrimas - que eram reais mas também estavam presentes naquele pesadelo. Ela observava tudo com uma esperança desnecessária pois não havia nada mais que alguns salgadinhos e refrigerantes de marca barata, e isso era notável. Sua mãe estava com um grande sorriso que alcançava as suas orelhas e seu pai estava com uma carranca desconcertante. A mãe lhe deu um longo abraço seguido de alguns tapinhas nas costas que recebeu do pai, sua mãe lhe entregou um pacote e ordenou que ela vestisse o que estava dentro. A pobre garota seguiu até o banheiro observando os convidados, ela notara que apesar de tudo eles não se importavam com a marca barata e davam gargalhadas frequentemente, ela então se perguntou se as pessoas estavam rindo dela ou para ela e não soube responder. Ao tirar a roupa do embrulho notou que era um vestido de cor branca meio apagado muito longo como um vestido de noiva - vestidos de noiva, ela se lembrou que tinha pavor destes e parou de pensar para reprimir mais algumas lágrimas e soluços - sem pressa vestiu-o e ao olhar no espelho sentiu vergonha, quanto ela havia engordado naquele mês? O vestido marcava seu corpo tinha brilho demais - ou talvez lágrimas demais nos seus olhos - ela não queria usar mas também não queria decepcionar, tratou de secar seus olhos e saiu. Sentou-se em um banco perto de seu pai apenas pensando no que ela estava vivendo agora, um pesadelo aos quinze anos. Algo interrompeu seu pensamento, vários homens todos uniformizados entraram e trataram de tirar tudo o que havia naquele salão e então alguém perguntou o que estava acontecendo. Sim era o fim do pesadelo talvez algo pior "morte emocional?" ela estava abalada demais para pensar. Os homens trataram de começar a tirar tudo dizendo apenas que o local não fora alugado e que haveria uma festa ali naquele momento e eles precisavam aprontar o local o mais rápido possível. 
A garota acordou aos prantos e logo se lembrou que seus pais estavam dormindo no seus quarto e não queria dizer o motivo de tantos soluços e lágrimas. Se levantou calmamente fingindo que havia acordado alérgica, deu um soco em seu próprio nariz e começou a espirrar, correu ate o banheiro e enfiou a cara na toalha chorando tentando fazer o menor barulho possível, voltou para a cama e enterrou a cabeça no travesseiro, não conseguia parar de chorar aquela cena se repetiu varias vezes ate que o dia ficou claro e ela então se levantou ainda meio atordoada. Depois do café da manhã voltou para o quarto sentou-se em sua cama e chorou, chorou e chorou ela não queria um aniversário como aquele era humilhantes, antes se não tivesse não queria passar por aquilo. Se recordou que odiava festas e que havia pedido para sua mãe uma viagem de quinze anos e não uma festa. Será que ela odiava mesmo festas ou tinha Medo delas? Ela se perguntou e ao longo do dia refletiu sobre toda a sua vida sempre reprimindo lágrimas e soluços. Ela não odiava festas, saias, coisas claras demais, lugares fechados e tumultuados, e etc. NÃO ela não era o tipo de pessoa que simplesmente não gostava de algo sem motivos, ela percebeu que tinha MEDO. MEDO de festas, MEDO de lugares tumultuados, MEDO das pessoas da escola... MEDO de viver? Será que era isso então? Lembrou-se que na noite anterior seu pai havia chamado-a de parasita. Ela se sentia uma parasita, como se sugasse tudo de alguém, se sentia impotente e chorou, e então teve MEDO de dormir novamente. Ela era realmente uma parasita por não fazer nada mais que chorar? Isso era ridículo, ela se sentia ridícula e impotente e covarde por ter medo do que ela realmente era, por ter medo de não saber o que era e o que aconteceria. Sim o medo agora a corroía, seu coração estava partido pelo medo como doía querer viver e ter uma barreira para impedir. A barreira era o muro de segurança que ela mesmo construiu, era o que a impedia de viver por não ter coragem de receber um não. Suposta segurança mas não proteção, ela não podia se guardar dela mesmo! Esse era o medo de ter escolhas demais e não saber o que decidir.