Mostrando postagens com marcador Mini crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mini crônica. Mostrar todas as postagens
7 de dezembro de 2015

Lembrança



Acordou num dia como qualquer outro o moço do sorriso lindo e dos lábios carnudos. 

- Gostosa! - gritou, me ressentia com como ele falava comigo, sempre me deixando sem graça. 
Ah, o amor é dessas coisas bestas que a gente não entende. Dia vai e dia vem e os olhos deles, dos meus dois melhores amigos, se cruzaram. Amor na certa. Todo dia vai e vem e a baixinha e o grandão sorriam como duas crianças ao ouvir uma piada. Aquele amor cruzado não concretizado me dava pena. Por que será que a pequena não tinha pulso para agarrá lo com a vontade e força de nunca mais soltar? 

Lembro bem de quando ele gritava meu nome, eu morria de vergonha. Os seus abraços apertados e o fato de minha amiga de infância ser apaixonada por ele não me impediu de amá lo. Mas não o amei como ela, é só que ele sempre teve um jeitinho de me fazer sorrir. Deus me mostrou que se hoje eu sorrio mais é porque me lembro que ele que tanto gostava de sorrir teve tão pouco tempo... Sua beleza era genial, mais do que física mas que vinha de dentro. As vezes que perdi de te-lo beijado foi por respeito ao amor da sua vida afinal ele era tão bonito e radiante. Um dia ele descobriria que a amava também. Hoje posso apenas regar as lembranças no seu túmulo e ser grata aos seus sorrisos que ainda me fazem sorrir... 

Em memória de um grande amigo. 
(Eu sei que ele amaria essa fotografia, ele amava os bichos como ninguém.)
5 de julho de 2015

Trecho anti poético

   
   
     Estou sem inspiração para poesia. Vou mudar minha playlist. Nada de músicas românticas, nada de poesia. Quem sabe assim me distancio do amor que me lembra desafeto. Quem sabe a falta do meu amor deixa de me fazer falta ? Deixa pra lá essa parada de que nasci pra ser poeta. Nasci pra ser escrava das palavras, também da ausência delas em boca alheia. Deixa pra lá esse negócio que faz meu peito palpitar. Deixa de lado esse pulsar que pula tanto no peito que causa até repulsa. Deixa a boca que deveria se unir a minha beijar outras faces. Deixa esse negócio de que desamor é inspiração. Não quero ser poeta. Quero é ser amada. E quanto à minha sina de florescer poesia... Deixa, deixa ser bônus de uma vida dois, completa, que ainda aguarda existir. Deixa essa sina pra trás, larga esse amor, essa poesia sofredora. Não se plante em meus pés. Deixa pisar em falso, se cair a gente aprende a levantar. Só não deixa escapar, não deixa eu escapar das suas mãos enquanto eu puder ser sua. Porque quando o sentimento cura só sobra mesmo a sina. Uma conversa de bar, uma prosa sem poesia, uma ausência de rima.
24 de maio de 2015

Destino


Toc toc toc. Bateram na porta do seu coração. Flores? Foi engano, não acharam o que procuravam. Uma pena. Talvez se ao menos tivessem entrado para tomar uma xícara de chá tivessem encontrado mais do que o que procuravam. Mas o destino foi generoso e livrou a pobre moça de mais um dia de coração despedaçado e alma depenada. Continuou sozinha mas pelos menos completa de si mesma e é claro de muitos chocolates. Floreou a si mesma com as flores que não lhe pertenciam. Foi feliz, sozinha. 
18 de maio de 2015

Segunda-feira



Põe a roupa de domingo e vá ser feliz, ouvi meu pensamento. Uma pena ser uma segunda feira quente e nebulosa. Talvez a neblina viesse de dentro e não de fora. Vesti meu uniforme e segui pelo caminho mais lento, queria ocupar meu coração do que só ocupa a paciência. Cheguei ao trabalho e mais uma vez como tantas meus olhos se encontraram com os dele e nem ao menos um bom dia. Só aquele choque elétrico que me atravessava toda vez que eu o sentia se aproximar. Uma pena não ser um domingo, talvez a roupa me encorajasse a dizer olá. Mas por enquanto apenas o olhar me basta para contar mais um caso de amor não dito