9 de janeiro de 2015

Fragmentos de um novo envelhecido

Devo lhe dizer que acabei de apagar o primeiro paragrafo de uma possível carta aberta para apenas escrever um devaneio ... Até aqui se passaram alguns dias do ano de 2015 e aqui estamos com as mesmas dúvidas, provavelmente com as mesmas ideologias e costumes. Carregamos dentro de nós o incansável velho que se resgata a cada volta que a Terra dá. Resignificamos as nossas esperanças e os nossos anseios. Tudo velho novamente, algumas pequenas mudanças são notadas mas nada de muito extravagante.

O velho atravessa a fonte da juventude e se torna novo como quem acabara de nascer, assim são nossas expectativas e até a própria vida de quem presencia vivo a translação da Terra. Na verdade até agora não cumpri nada do que planejei fazer durante esse 2015, sabe por quê ? Porque eu ainda sou a mesma e as decisões que tomei poderiam ter sido tomadas em qualquer momento de 2014 ou de qualquer ano.

Querido ano novo ou leitor novo, continuo sendo poesia ambulante e a cada dia ando sendo mais poesia e anseio. Busco doar mais de mim a cada segundo de minha existência. Continuo sendo esperança e nostalgia de todos os meus segundos até aqui. Continuo duvidosa e ansiosa, continuo...

Nessa de continuar
Sou ainda mais poesia
Sou abrigo da nostalgia
Dos passados vivos
Inventados, resgatados
Duvidosamente furiosos
Querido novo
Dos velhos defeitos
Carrego preceitos
Meus preconceitos
Busco abandonar
Minhas manias
Lapidar
Meus sonhos
Os mesmos olhos
Meus segundos
Mesmo que desvanecidos
Nessa sina de palavrear
Procurando novas palavras
Para inovar
Vocabulários
Para surpreender
Modificar a eterna
Mudança do ser
Do meu ser viver
Abraçar o velho novo
Como quem abraça tesouros
Esse tempo vale ouro
É o tempo de nunca mais
Mais voltas que a Terra faz
Traz esperanças
Expectativas
E espectrais lembranças
Querido ano novo
Sou cada vez mais poesia
E vontade de ser
Nova a cada dia

Fragmentada me doei, não doeu-me. Quero doar ainda mais, especializar me em doações. Nada de muito rico e tudo de muito relevante. Um sorriso para a bela velha que nos acompanha, a vida. Que o velho se renove a cada dia pela simples passagem dos segundos e da constante renovação mental. Um abraço e antes tarde do que nunca, um feliz ano novo!  
29 de dezembro de 2014

Desnuda


Hoje eu li, li tanta coisa. Repensei, por quê? Alguém me leria ? Quero (te) desvendar e me apaixonar por algo que seja mais real do que as minhas vivências passadas. Quero sair desse confinamento literal, moral, psicológico. Adeus mundo! Não caibo mais em mim. Já não caibo em mais nada. Fujo de mim do clarear do dia ao anoitecer. Cerro os dentes para não chorar e deixo as poucas lágrimas adentrarem novamente. Relutantes, não caiam, fiquem aí paradas. Vocês que fazem parte de mim não podem sair sem pedir permissão. Não me traiam, não me justifiquem, não me comprometam, não me mostrem a outros olhos. Não revelem a minha nudez. Não! Elas se foram, pobres lastimas, poucas lágrimas. Lateja em mim sempre o pensamento de viver. O de morrer se foi com o tempo porque morrer significa perder as esperanças. Não sofri esse tempo todo para desesperançar. O tempo que precisar esperarei para espalhar todo eu que já não cabe mais no meu peito. Deleito me em fazer da minha sina de viver uma incompleta rima ficcional. Está difícil vomitar as palavras, todo meu confinamento se acostumou com tão pouco espaço que agora tem medo da luz do sol. Sai daí, menina! Algum encorajamento ? Seria clichê dizer que anseio por pessoas que não usem o que eu disse contra mim? Precisamos mesmo é dos clichês e eu admito que anseio. Anseio por olhares e atenção que não seja direcionada a mim por pena mas porque é agradável estar comigo. Mas se eu não for agradável ? Tantas dúvidas, cruéis. Como espadas de dois gumes cortam os dois lados do meu ser, alma e pensamento. Por que fiz um juramento a qual nem mesmo acreditei ? Se eu desesperançar, não me deixe partir. Faça me sorrir e me lembre que enquanto eu existir minha sina será me apaixonar pelo que deveria ser e espalhar esse dom de palavrear pelo mundo. Talvez algum moribundo resista ao assistir minha conquista e se inspire a viver. Justo eu das pensantes a mais moribunda, morrendo pelo mundo sem antes pedir perdão. Tudo que eu mais quereria é um peito aberto para eu adentrar, me esconder, me afogar. Um peito que dissesse para eu ficar que comigo lá dentro o mundo é menos vazio. E mesmo que fizesse 40 graus na sombra eu quereria para sempre o eterno calor do amar. Os "porquês" seriam vagos se não houvessem mais respostas cabíveis. O desprezo amarga, mas este é assunto para outro texto, este foi devaneio vívido e real por ter lido a mim por ter lido (você) o mundo. Por amar o desconhecido, por poemar, por po(amar)-te e trazer (te) até a poesia de meu ser.      
28 de dezembro de 2014

Maria do mato

Quando fui ao Mato Grosso conheci coisas que nunca tinha visto antes. Hospedei me numa cidadezinha chamada Novo Paraíso que de paraíso só tinha o nome. Adentrando nas redondezas da cidadela visitei uma tia avó que mora numa tapera bem simples. Nunca vi tantos filhos juntos numa só casinha. Umas cem pessoas de filhos e netos à agregados.

Zé é um moço de seus 20 anos que parece ter trinta e poucos, não tem todos os dentes na boca e sua pele é queimada do sol. Ele é casado com Maria que tem 15 anos. 15 anos Maria ? Quinze anos tinha eu quando conheci Maria, casou se aos 13 anos. Mamãe gosta de fotografar e logo quis fotos de todo o mato do Mato Grosso e dos que ali habitam. Maria é como eu não gosta de foto, eu corri mas logo me convenceram e tirar foto com eles. Maria virou as costas ficou emburrada e chorou. Ô Maria, não fica assim. É só uma foto, com fash mas não arranca pedaço.

Ô Maria tão boba, Maria forte e trabalhadeira. Maria que carrega bacia pra buscar água na bica que já sabe fazer remédio com casca de pau e que quer ter um filho pra cuidar. Ô Maria, eu que nem sou branca fico feito neve perto de ti. As meninas do Mato tão fortes perto de mim, apesar de serem franzinas são bem mais fortes que a gorducha branca da cidade e olha que nem sou branca eu só não pego sol.

Tantas Marias pelo Brasil, conheci Maria do mato, parecia bicho que se enconde e nós não somos todos bichos assim como ela ? Todos temos um quê a esconder, uma vergonha e uma falta de costume. Ô Maria seja forte seja bicho seja do mato e mata essa pobreza, corre atrás do que der e viva como quiser. Maria negligenciada tão nova já casada. Sua infância foi roubada pela desesperança do mato que mata todo sertanejo de sol, de fome, de sede, de doença, de chuva que acaba com a roça, de esquecimento.

Marias tão esquecidas, fortes na convalescença. Marias do Brasil, casados com Zés, Antônios, Raimundos e pelo mundo nunca são lembrados são negligenciados sem cuidados. Maria, não sei porque lembrei de ti mas vou colocar você em minhas preces quem sabe Deus te conceda alegria apesar das desigualdades. Cada um tem motivo pra sofrer e sorrir, pobreza não é defeito. Sou tão suspeita pra falar de ti. Fica no teu paraíso que eu de longe lembro que Maria é bicho e toda pessoa também é Maria. Do mato mata as desesperanças e lança no mundo a luz de existir feito água que cai da bica e traz barulho na mata do silêncio de cada coração que pulsa. Ô Maria não chora, ri que o coração melhora e o mundo fica mais colorido, agradece a Deus pela natureza que todo ser tem algo de falido. 
23 de dezembro de 2014

Das divagações cotidianas: emancipação

Uma tarde de quinta-feira como todas as tardes normais de quinta saí de casa e fui a pé até a sala da psicóloga. Sentei me no banco para esperar que ela abrisse o consultório e me recebesse com aquele sorriso enorme que não sai daquela face. Pela primeira vez de todas as sessões não me atrasei. Fiquei ali a encarar aquela porta verde claro com o número dezoito preso nela. Dezoito poderia ser apenas mais um número qualquer mas é o número da minha próxima idade. Daqui a alguns meses terei 18 anos de idade. Dezoito, o número da emancipação. Pelo menos a emancipação formal no meu país. Será que muita coisa vai mudar ? Ou assim como no consultório 18 seria apenas um número ? Com certeza terei mais direitos e deveres legais. Entretanto 18 será minha emancipação apenas se eu aprender nesses 5 meses até a chegada da data a lidar comigo e saber decidir minha vida sem a ajuda dos meus pais. Provavelmente não serei emancipada aos 18 mas nem é isso que eu quero contar a você neste texto. Caro leitor, perdoe me a divagação mas é assim que meu cérebro funciona. Um emaranhado de coisas que aparecem na hora errada e saltam pelos olhos, saem gritados pelo meu silêncio. A vida não está fácil para mim. Sei que para muita gente está pior mas isso não consola a mim. Uma das minhas utopias é a de que as coisas deveriam estar nos seus lugares. Ninguém deveria passar fome, frio, sede, amor. Ah , o amor. Este é a junção metafórica da fome, do frio, da sede. E a saudade é o prato de entrada. E quem sofre de amor não tem sobremesa. Engano meu pensar que o amor era só uma história que me contavam para eu dormir. O amor tira o sono, o sorriso. Mas não falo de qualquer amor. Falo aqui do amor não correspondido. A fome do ser amado, a sede de uma água proibida ou inalcançável, o frio da ausência dos braços quentes da companhia. O frio do coração vazio. A saudade do alento perdido. E a gente sempre imagina que a sorte virá num realejo. Tenho 10 minutos a menos de divagação porque perdi o horário e me atrasei para a sessão. Não consigo cumprir horários, foi no meu atraso que perdi um amor, mas não passei fome, nem sede, frio talvez. A sorte não me apareceu como um realejo. Meu doce alento continua perdido. Contudo aprendi que eu me atrasei mas que agora acertei o relógio e descobri que não tenho tempo para um amor não correspondido. Não me submeto a perder horas de sono por ninguém (amores). Estou emancipada de você, meu bem. Ainda comerei o prato frio da saudade, mas estou saciada. Cheia de você. 
20 de dezembro de 2014

Entre Aspas: A Sorte

para o rico, enriquecer mais
Para o pobre, se tornar rico

Para o que tem fome, se alimentar 
Para o que tem sede, saciar-se 
Para o doente, curar-se 
Para o musico, ter sucesso
Para o jogador, fazer um gol
Para o cozinheiro, receber uma ótima critica 
Para o apaixonado, a sorte vai além
Ele precisa ter sorte de Enriquecer mais seu coração com doses de Alegria
Ter a sorte de se tonar rico de afeto
Ter a sorte de se alimentar da paixão de sua amada 
Ter a sorte de saciar sua sede de prazer
Ter a sorte de curar-se de um antigo amor e embarcar num novo
Ter a sorte de a cada dia sentir a emoção de um gol em um beijo 
Ter a sorte de que quem o ver poder querer fazer o mesmo que ele, como faz um critico ao cozinheiro
Mas o apaixonado só quer ter uma sorte
A sorte de nunca mais precisar de sorte pra encontrar alguém que lhe dê tanta sorte.


Autor: Nathan Ribeiro (https://www.facebook.com/nathan.ribeiro.7)


Na tag "Entre Aspas" estão textos de autorias diversas que não são meus. Coloco nessa tag tudo que eu gostaria que vocês lessem e os textos que guardo com carinho. Espero que gostem!
13 de dezembro de 2014

Mar em pingo d'água


Prendi meu cabelo com um laço porque ele não se comporta bem perto de você. Tende a se esvoaçar a perder o controle, a se comportar mal, a desatinar. E ao acaso tenho coragem de estar perto de você, de soltar minhas ligas, desatinada por completo. Mas você cometeu um erro, meu bem. Deixou que tudo fosse ao meu modo, me deixou assim livre, solta e sem quadros. E eu nunca estive assim, sempre precisei das limitações, das regras. Mas você me deu espaço. Um espaço que eu não soube usar, que me deixou mais constrangida do que à vontade. Eu nem sequer tinha expectativas e só soube ser solta para você me ensinar a dançar descalça. Eu não soube rodopiar sem as sapatilhas que limitam o movimento dos meus pés. Não sei ser precisa na imprecisão. Desculpe, mas não aprendi a dançar na floresta do teu peito. Não aprendi a navegar no teu pensamento. Não aprendi a ser o brigadeiro da sua panela. Soltei meu cabelo pra você ver a imperfeição, aquele corte desalinhado combina com o desalinho dos nossos corações. Você derramou em mim cachoeira de mar enquanto eu fui apenas um pingo d'água e por dentro eu nem mesmo sabia o que estava fazendo, porque você fez tudo. Se derramou mais do que cabe em mim e eu sem saber o que fazer com tanta água fiquei muda. Não havia mais nenhuma palavra que não estivesse submersa no seu mar. Algumas começaram a boiar e aos soluços eu disse. Que infelicidade foi dizer, dizer coisas sem sentido que você nunca entenderia, mas eram as únicas coisas que ainda lutavam em não se afogar na superfície. O resto tinha decidido prender a respiração e se resguardar no fundo. Sua constância deixou me constrangida, você não se lembrou de me esquecer. Mas soube me prender na sua liberdade, uma prisão bem mais atuante que as regras impostas. Não soube ser livre, não aprendi a voar, meu balé precisa de sapatilhas, meu cabelo tem que estar preso. Minhas mãos frias combinam com a frieza do meu coração, não se espante se eu não me derramar (derramei, não amei). Não morra pela inanição do meu amor meu bem, ele precisa de uma jaula e de um vigia que observe que aos poucos ele pode se mostrar. Perdoe -me por não aprender a ser mar (e a te amar como você queria), por enquanto sou apenas pingo d'água e medo de você se aproximar.     
18 de novembro de 2014

Inesgotável

Os muros e grades ao meu redor
Livre a liberdade
Solta como o vento
Mal entendida
Ressoa em gritos sob as grades
Os muros impedem
O ar o andar o mar
Mas o amar
Mesmo que sofredor
Este nunca será impedido
São tantos
E enquanto houver vida
Fenecem, encarecem
Esquecem, mas não desaparecem
Os eternos amantes sofredores
Por amar acima do viver
Além das dores
Inesgotável liberdade de amar
23 de agosto de 2014

Um saculejo, um ensejo

Saculejo. Saculejar é preciso. Saculejo já me faz rir. Saculejar é neologismo. Faz me rir. Saculejar é pretexto pra prosa solta e verso. E verbo me falta onde a timidez alcança. E saculeja tudo em mim e meu peito palpita de prosa e pranto. Planto poesias sem fim no eterno saculejo da vida. Sorrio e tudo se remexe em mim. A vida, esse eterno saculejo. Saculejo não existe. Saculejar é preciso. Saculejo é balanço doido, é erro de português mas quem verdadeiramente é errado é quem fala correto e não vive o que diz. Que saculeje sua vida então. Meu peito palpita de prosa e pranto e dói. Dor palpitando, ansiosa chegada esperada partida. E partilho em silêncio os saculejos da vida. Anseio um abraço mas o medo do laço é que me faz continuar no estado de inércia, o qual todo ser no mundo tende a ficar. Mas saculejar é próprio, é anseio e movimento. Partilho a partida e me dói deixar um pouco de mim. Mas rever é feliz, feliz estou por rever uma amiga de ônibus. Ela me abraça e relembro e já não sinto falta de um abraço. Ou sinto e minto. A vida é isso mesmo. Um eterno saculejo, um sorriso e um azulejo, uns quadradinhos de histórias e estórias. É em si o infinito neologismo. 
5 de agosto de 2014

Se algum dia vier a me encontrar

Caro leitor, não quero cansa-lo com um texto enfadonho. Peço-lhe que se não tiveres paciência de ler-me busque algo mais produtivo. São exatamente 5 e 17 da madrugada de um agosto não muito quente. Venho desabafar neste jardim quase deserto as divagações da minha mente. Quero aqui falar dos amigos que nunca tive, dos que tive e dos que quisera ter, dos que tento ter. Mas os que tenho não farão muita parte deste texto. Pois se já os tenho não há muito o que dizer que caiba em um texto de madrugada.
Quantas pessoas passam por nossas vidas? Dá para contar? Lembro me bem da aflição do primeiro dia de aula no Colégio Militar, não, não era aflição. Era uma ansiedade tola que se me lembro bem não tive medo. Mas eu não estava sozinha, uma colega do antigo colégio também estava lá. Não éramos bem amigas mas conhecíamos uma a outra desde a alfabetização. Isso bastava, um rosto conhecido reconforta. Mas o que fazemos hoje com os rostos conhecidos? Não lembro de ter tido muitos amigos no primeiro ano naquele Colégio. Nunca fui lá muito boa em comunicar me dialogalmente.
E às vezes "a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só". Fui feliz, fui triste, tive problemas e soluções. Poucas coisas me recordo dos tantos anos que estudei naquele Colégio. Não sou de sentir saudade mesmo estando já há quase um ano sem lá pisar ou rever os velhos amigos. Espero que minha memória não apague as coisas ruins que me aconteceram para que possa servir de exemplo para os filhos que eu vier a ter. Que não apague as boas lembranças pois delas vem a felicidade mais nostálgica.
E as faces com as quais convivi por anos? Alguns morrem, outros entram por caminhos obscuros e ninguém imaginava que aquele pacato hoje seria quiçá um grande estudioso da física, na medicina, das letras. São pessoas que fizeram parte das nossas vidas. E o que fazemos com elas? É certo que a distância, a mudança de rotina e de realidade afasta. Mas a vontade que tenho é de abraçar todos que da minha vida parte fizeram.
Não guardo mágoa daquele garoto que fazia bullying comigo e mais tarde ele confessou me que era apaixonado por mim desde muito tempo. Sim, ele me fez sofrer. Mas o que posso dar a ele? Ah, e aquela garota fotografa? Quem diria, para mim ela jamais seria uma amante das artes. Aquela mesma que era minha amiga confidencial e anos mais tarde me empurrou dentro do ônibus.
Tive tantos bons momentos dos quais lembro-me de poucos. Minha memória me trai. Parece que ela está regulada para lembrar de nostalgias tristes. Não quero mais isso leitor. Se você sabe como fugir. Como me achar em uma foto velha daquele nosso trabalho de dança. Encontre me e saiba que eu agradeço de coração por você ter existido na minha vida. Porque a vida é feita desses clichês, dessas coisas que a gente julga inútil. A vida é feita de momentos e os sorrisos. Ah, os sorrisos! São as pequenas dádivas de Deus a nós todos os dias, presenteando nos com a presença de alguém que talvez nem vá se lembrar do seu nome num futuro distante.
Dos amigos que tive carrego grande admiração, por todos. Grande curiosidade pela maioria. Os que tento resguardar com dificuldade creio que se tornaram os melhores de toda a minha vida, ou os mais presentes. Afinal, quando é difícil demais conseguir uma coisa não se desiste fácil dela quando se tem. Aquela garota ou garoto que eu admirava e nunca tive coragem de falar um 'oi' por uma timidez boba, não faz mal. Talvez eu nunca mais os vejo e se os vir não venham a passar de desconhecidos ou talvez futuros amigos.
Contudo, se você chegou aqui até o final deste texto da minha divagação de terça-feira feira, obrigada! Quero parabeniza lo por tamanha determinação. Eu daria a ti um grande abraço se pudesse, e se puder me cobre o abraço. Claro, se você gostar de abraços. Essas lembranças vagas nos pegam assim tão de surpresa, mas a verdade é que elas estão sempre ali prontas a martelar nossas cabeças sem mais nem menos. Talvez de bonito ou proveitoso este texto contenha apenas uma frase. Mas se você leu e me conhece e se me vir passar na rua e lembrar se do meu nome diga algo ou simplesmente sorria. Se me encontrar em um ponto de ônibus faça me companhia, converse comigo, convide me para ir ao cinema. Mesmo que eu não possa aceitar o convite ou que eu não cumpra quando te prometi que diria oi no chat do facebook. Ultimamente ando odiando essas redes. São úteis para aproximar os amigos que moram a longas distâncias mas muitas vezes deixam enfadonho como este texto aquela conversa que talvez teríamos em meio a risadas no caminho de ônibus para tua casa.
Não faz mal que não lembre o nome ou a ocasião de quando conheceu se determinada pessoa mas há valor em tudo, em cada perfume que passou na nossa vida. As pessoas são mesmo como plantas, deixam suas lembranças em nós, seu perfume, sua semente. São um jardim particular de Deus. São partes repartidas, separadas mas nunca isoladas. São parte das memórias que temos dos nossos dias. São apenas pessoas, singulares no plural mas que são capazes de deixar um pouquinho de si nas outras concluindo que ninguém vive sozinho quando se tem vontade de viver e não apenas existir. Agradeço a presença dos perfumes que vieram a florear minha vida pois é deles que tiro inspirações de ser melhor a cada vivência.
Se um dia vier a me encontrar seja um clichê barato, faça me rir, deixe uma memória em mim. Um abraço que seja. Uma demonstração de que eu existi.
15 de julho de 2014

Mais uma história de amor não compreendido

Em meio a tanta gente ela ainda conseguia se sentir só. Forjava sorrisos e dizia em simpáticos cumprimentos que estava bem. Os olhos mentiam hipocritamente com um brilho sutilmente feliz. De repente seu olhar encontrou um sorriso. Aqueles dentes bem alinhados e aquela boca que ela conhecia bem. Ele estava lá como já era de se esperar, mas para ela encontrá lo sempre lhe causava surpresa. Notou que o cabelo dele estava penteado para o lado que ele não costumava deixar. Ele andou até ela e cumprimentou a. Ela sorriu sem esforço e sentou à mesa dele. As tias do quase nascido Arthur entraram no salão vestidas de criança, apresentaram um teatrinho simulando a infância do pai do Arthur, o Marcelo.
- Engraçado ne?
- Exatamente igual à nossa infância mesmo, minhas irmãs são ótimas.
- E seu irmão está muito ansioso para a chegada do Arthur?
- Provavelmente sim porque eu que sou tio estou muito. 
- Você será um bom pai com certeza.
- E como você sabe disso?
- Você adora crianças... minha intuição também diz.
- E ela diz com quem vou me casar?
Aline gelou, ela gostaria muito de dizer a ele que se dependesse dela os dois se casariam.
- Olha Aline, minhas irmãs estão fazendo aquele dia em que você fez xixi no Marcelo e ele te soltou.
- Nossa que vergonha.
- Pare de ser boba, você era apenas um bebê. Meu irmão nunca teve jeito com criança, está super ansioso e preocupado com a chegada do Arthur.
- Mas pelo menos ele teve a iniciativa de entrar para um curso de pais. Você entraria para um curso de pais Mário?
- Acho que não precisaria.
As homenagens ao casal Marcelo e Flávia acabaram e agora os convidados estavam a vontade para conversar e comer os quitutes do chá de berço.
Aline se divertia conversando com Mário. Eles falavam da infância e percebendo se que o destino os quisera tão pertos desde o nascimento. A mãe de Aline era prima do pai de Mário e a mãe dele era melhor amiga do colegial da mãe de Aline.
Um amor simples, uma amizade espontânea sem fingimos, mas o medo. O medo dos dois de estragar tudo. O medo de se arriscar. Nem todo mundo tem a sorte de amar o melhor amigo de infância. Aquela pessoinha que você beliscava por ciúmes do seu pai por brincar com ele. Aline é filha única e Mário tem 3 irmãs e 1 irmão. Mas até a adolescência eles ainda não sabiam que estavam destinados a pertencer um ao outro. Quem não quer um amor assim? Caro leitor, se você tem um amor assim, puro, de infância, repare bem. Arrisque se! Sua história pode ser linda ou traumatizante. Mas posso te dizer que das duas formas ela sempre dará uma nova crônica. A vida é para ser lida. Quem te lê pode ser um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, o mundo inteiro.
Sonhei com um amor infantil, com essa pureza de encontrar alento ao segurar as mãos de alguém. Não sou mais criança mas posso voltar a ser para encontrar sorriso no caos. E é assim que tem que ser. Aline e Mário precisam voltar a ser criança para arriscar se a uma cicatriz ou a ganhar o mundo no olhar um do outro. O amor é assim, nasce como uma criança. Por mais planejado que seja nunca se sabe o dia exato em que ele começou a existir. O amor é um bebê que precisa de atenção, de cuidados, de carinho, de afeto, de proteção, de dois pares de mãos para abriga lo. O amor é um bebê que nunca envelhece.