22 de janeiro de 2015

Mais uma tentativa

Antes de escrever sobre você fechei os olhos e respirei fundo para me encorajar. É tão difícil escrever o que sinto, as vezes saem fragmentos, e é mais fácil até mesmo falar, não sei se é medo ou se não se pode registrar esse amor proibido, sei que ao reler esta introdução já desisto de escrever sobre nós, aliás, sobre você ou sobre o que sinto por você. Fecho os olhos e penso em desistir, talvez em um outro momento eu escreva

De uma coisa em sei, a cada dia que passa parece que aumenta mais o que sinto por você. Sua conexão pessoal me faz tanta falta. Irei para a página seguinte escrever sobre o futuro pois do presente só arranco suspiros e um coração ardente.Porque é tão difícil escrever... Fecho os olhos e penso. Sobre você?! Envio mensagens telepáticas: Boa noite mon amour, espero que pense em mim tanto quanto eu penso em você.

Texto escrito em 16 de janeiro de 2014. 
20 de janeiro de 2015

O encontro


Mal acreditei que era verdade. Extasiada abracei o sem pronunciar uma palavra. Aquele abraço pareceu durar uma vida inteira e foi como se eu estivesse vivendo novamente toda a minha vida até aquele momento. Foi como se o mundo tivesse parado e como se só houvesse vida nele. Tudo tinha parado, eu sentia o calor do corpo dele colado ao meu, meus pés já não tocavam mais o chão, eu estava nas nuvens, na minha fantasia pseudo real. Ele me segurava pela cintura e aquele abraço tão singelo e todo  resto fez lágrimas rolarem do meu rosto. Uma mistura de água, sais minerais e paixão saiam dos meus olhos. Minha alegria era infinita. Ah, aquele corpo quente de dois metros de altura, aquelas mãos em volta do meu corpo me segurando forte e ao mesmo tempo tão suave. Eu estava perdida, agora tinha a tão esperada resposta. Perdidamente apaixonada por ele. Ficamos ali parados, abraçados, nossos corações batendo forte, minha respiração ofegante, meus olhos fechados agora conseguiam ver as mais lindas maravilhas que nem mesmo a própria visão pode oferecer. A voz dele interrompeu meus pensamentos. Um sussurro no meu ouvido "Querida, esperei tanto por este abraço. Amiga você é minha, minha pequena." Ele me apertou mais junto ao seu corpo e a eletricidade entre nós aumentou e subiu atravessando meu corpo verticalmente. Aquela corrente subiu da minha coluna até a cabeça. O toque das mãos dele queimavam minha pele. Ele entrelaçou seus dedos firmes na raiz do meu cabelo e afastou minha cabeça do seu ombro, olhou me firmemente nos olhos e beijou o caminho que as lágrimas fizeram da minha bochecha até meu queixo. Seus lábios tocavam meu Rosti e eu me senti enrubescendo. Fechei os olhos e ele pressionou seus lábios nos meus apertando me cada vez mais em seu corpo. Meu coração acelerou ainda mais os batimentos. Meu corpo frio estava se aquecendo com o calor dele. Era real, eu estava com ele agora e para sempre. Mais que o encontro de dois corpos, o encontro de dois corações, a fusão de duas almas em prol do amor.  


Texto escrito em 2013.
19 de janeiro de 2015

Ecoar

O eco ressoa versos
Verbos soam acessos
O som conjuga a luta
As ondas do mar possesso
Do teu peito aberto
Tamborilando batuques
No chacoalhar das ondas do destino
E o teu desatino é simples
Um simples eco
16 de janeiro de 2015

Um dia depois da perfeição

Hoje resolvi não escrever meu número favorito. Hoje é sexta feira, 13 de dezembro de 2013. Não sei se esse dia dá realmente azar ou se é exagero da superstição das pessoas, mas o que sinto até que condiz com um dia de comédia trágica.

Quando se trata de sofrer por paixão costumo ser bem altruísta, carrego toda a culpa e dor ou sozinha ou ajudo a carregar a dor dos outros. E é nesse serviço infame de querer tapar o sol com a peneira que eu vou sofrendo e me magoando cada vez mais e perdendo para mim mesma.

De nada me fizeram convicta as vezes que eu conselhei que se arriscassem pois foi por não me arriscar que eu perdi uma batalha sem ter ao menos um adversário. Nada adiantou dizer "se arrisque" se eu não acredito ou acreditei na minha própria ideologia. E continuo doendo, chorando sem ter lágrimas e tentando descobrir porque dói tanto e aperta tanto no peito o que está no cérebro, no hemisfério direito especificamente. Será que essa parada louca de sentir no coração realmente existe?

Toquei o peito com a mão direita e pareceu me frio como sempre foi, mas um frio meio mole, como gelo derretendo. Ainda não consigo desistir de pensar em como os outros vão se sentir a meu respeito. Sei o quanto é ridículo dizer que não se quer estragar uma amizade se a partir do momento em que algo tornou diferente a amizade deixou de existir. Essa balança pesa mais para o lado mais enfraquecido, custa caro o preço de um leve coração.

Sobre o que foi perfeito posso dizer que sofrer por uma paixão é perfeitamente coerente para uma poetisa de 17 anos. Foi perfeito eu ter conhecido o melhor de mim graças a uma paixão. Mas a perfeição não cabe a olhos humanos e é por isso que ela dói tanto em mim. Que a covardia que me persegue não me impeça de revelar meus segredos mais ocultos a quem ajudou me a descobrir a preciosidade de minha própria essência de utopias platônicas. Não consigo aceitar que sinto o que sempre tive medo de sentir. Apaixonei me por ele. E admiti...


Este texto foi parte do diário que nunca prossegui porque não gosto de diários, todas as feridas dessa por ventura paixão já existida foram cicatrizadas e graças a ela entendi porque devemos ceder ao nosso orgulho e doar se com os pés no chão. Com nostalgia e sem nada de saudade dou a vocês o que já foi parte de mim. Abraços e voltem sempre!
15 de janeiro de 2015

A Etérea

Ô menina
Tua sina
Não sei quando
Tua rima meu encanto
Enquanto despertar
Sereia encantada
Bailarina do mares
Dos amores
Dos lares
Que fazes em corações
A tua rima
Teu sonho
Ilumina
A doce ilusão
Meu peito palpita
De prosa
De verso
Teu reverso
Reveste em minha solidão
Mas já é hora da partida
Teu espetáculo partiu
Em mim meu coração
A menina
De areia desfaz meu coração
Essa sereia
Avulsa
Corre de mim
Quando mora solidão
Todo mistério
Etéreo
Se esvai
No desvalimento do ser
Deixo de ter bailarina
Em essência
Pra ser desencanto
Onde encontro
Mundo, desnudo

13 de janeiro de 2015

Entenda as mulheres: o que elas querem que os homens saibam (ou o conjugar de um verbo)

A gente sempre carrega dentro de si, mesmo que não aceite, não admita ou ainda que neguemos, aquela expectativa de surgir um novo amor. Ou um amor que inicie nosso coração nessa parada que desde os primórdios faz gente chorar, sofrer ou se tiver sorte faz feliz para o resto da vida. Nunca acreditei na minha própria sorte e apesar de tentar não esperar um amor, meu coração espera. Espera ser jogado fora só para ter o prazer de um dia poder contar uma historia dizendo "eu sofri por amor", "já amei" ou "ainda amo". Sempre cultivando aquelas amizades que aos olhos dos outros parecem a mais inocente. E verdadeiramente são, menos pela ponta de esperança alimentada pelo desejo reprimido de amar e ser amada. Aquela vontade de gritar para todos os homens "não quero ser sua melhor amiga, tampouco sua irmã" só pra ver se alguém se interessa. É frustrante aquele cara legal dizer que ama outra enquanto você queria ouvir que ele te ama. Mesmo que você não o ame. Aquela atenção que você inveja daquela menina que nem é tão inteligente quanto você. Ou ainda aquele cara que diziam que vocês tinham tudo para dar certo e mesmo você suportando as palavras e tentando não se apaixonar porque mais cedo ou mais tarde você quebraria a cara. Eu não daria meu braço a torcer por um amor. Até porque um mês depois ele estava namorando uma garota que nem ao menos você havia visto ele falar com ela. E  aquele cara que ia na sua casa e te dava cantadas e um mês depois estava namorando sua amiga. Também aquele que te elogiava mas que seria um egoísmo se ele elogiasse só você e depois você se sentiu mal por ter antes se achado tão especial. Não sei se o problema somos nós ou se os homens são mesmo complicados, ou se a culpa é do amor. E essa quase impessoalidade que deixa tudo claro que estou sofrendo por desamor mas generalizo só para tirar minha parcela de culpa ou mesmo de remorso. Porque eu nunca consegui gostar de alguém que estivesse ao meu alcance. Eu nunca tive coragem de dar o braço a torcer por medo de sofrer mas já estou sofrendo. Porque ninguém pode me dar o afeto de que necessito, só ele. E ele pode estar em qualquer lugar, beijando outra boca ou mesmo ao meu lado me chamando de irmã. Ele pode estar em outra cidade e pode até mesmo não saber que eu existo. Mas acima de tudo, ele está no meu pensamento e eu espero logo que venha sanar meu desafeto. Que seja corajoso o bastante para enfrentar a selva que é meu peito. E quando ele chegar espero não ter medo, espero ter um sinal de que é mesmo ele. Um sinal de que eu não serei mais apenas uma amiga cheia de história para contar, divertida mas apenas amiga cheia de um  desamor que eles não conhecem e não reconhecem. Até que eu conheça o amor, o desamor tem sido minha maior frustração e a falta de coragem por medo de ser pior o terreno desconhecido já deixou escorrer por entre os dedos todas as oportunidades e temo que o destino não seja mais tão generoso. Meu desatino tem sido a procura por um motivo para escrever sobre aquele que não veio ainda cultivar em mim o verbo amar.
9 de janeiro de 2015

Fragmentos de um novo envelhecido

Devo lhe dizer que acabei de apagar o primeiro paragrafo de uma possível carta aberta para apenas escrever um devaneio ... Até aqui se passaram alguns dias do ano de 2015 e aqui estamos com as mesmas dúvidas, provavelmente com as mesmas ideologias e costumes. Carregamos dentro de nós o incansável velho que se resgata a cada volta que a Terra dá. Resignificamos as nossas esperanças e os nossos anseios. Tudo velho novamente, algumas pequenas mudanças são notadas mas nada de muito extravagante.

O velho atravessa a fonte da juventude e se torna novo como quem acabara de nascer, assim são nossas expectativas e até a própria vida de quem presencia vivo a translação da Terra. Na verdade até agora não cumpri nada do que planejei fazer durante esse 2015, sabe por quê ? Porque eu ainda sou a mesma e as decisões que tomei poderiam ter sido tomadas em qualquer momento de 2014 ou de qualquer ano.

Querido ano novo ou leitor novo, continuo sendo poesia ambulante e a cada dia ando sendo mais poesia e anseio. Busco doar mais de mim a cada segundo de minha existência. Continuo sendo esperança e nostalgia de todos os meus segundos até aqui. Continuo duvidosa e ansiosa, continuo...

Nessa de continuar
Sou ainda mais poesia
Sou abrigo da nostalgia
Dos passados vivos
Inventados, resgatados
Duvidosamente furiosos
Querido novo
Dos velhos defeitos
Carrego preceitos
Meus preconceitos
Busco abandonar
Minhas manias
Lapidar
Meus sonhos
Os mesmos olhos
Meus segundos
Mesmo que desvanecidos
Nessa sina de palavrear
Procurando novas palavras
Para inovar
Vocabulários
Para surpreender
Modificar a eterna
Mudança do ser
Do meu ser viver
Abraçar o velho novo
Como quem abraça tesouros
Esse tempo vale ouro
É o tempo de nunca mais
Mais voltas que a Terra faz
Traz esperanças
Expectativas
E espectrais lembranças
Querido ano novo
Sou cada vez mais poesia
E vontade de ser
Nova a cada dia

Fragmentada me doei, não doeu-me. Quero doar ainda mais, especializar me em doações. Nada de muito rico e tudo de muito relevante. Um sorriso para a bela velha que nos acompanha, a vida. Que o velho se renove a cada dia pela simples passagem dos segundos e da constante renovação mental. Um abraço e antes tarde do que nunca, um feliz ano novo!  
29 de dezembro de 2014

Desnuda


Hoje eu li, li tanta coisa. Repensei, por quê? Alguém me leria ? Quero (te) desvendar e me apaixonar por algo que seja mais real do que as minhas vivências passadas. Quero sair desse confinamento literal, moral, psicológico. Adeus mundo! Não caibo mais em mim. Já não caibo em mais nada. Fujo de mim do clarear do dia ao anoitecer. Cerro os dentes para não chorar e deixo as poucas lágrimas adentrarem novamente. Relutantes, não caiam, fiquem aí paradas. Vocês que fazem parte de mim não podem sair sem pedir permissão. Não me traiam, não me justifiquem, não me comprometam, não me mostrem a outros olhos. Não revelem a minha nudez. Não! Elas se foram, pobres lastimas, poucas lágrimas. Lateja em mim sempre o pensamento de viver. O de morrer se foi com o tempo porque morrer significa perder as esperanças. Não sofri esse tempo todo para desesperançar. O tempo que precisar esperarei para espalhar todo eu que já não cabe mais no meu peito. Deleito me em fazer da minha sina de viver uma incompleta rima ficcional. Está difícil vomitar as palavras, todo meu confinamento se acostumou com tão pouco espaço que agora tem medo da luz do sol. Sai daí, menina! Algum encorajamento ? Seria clichê dizer que anseio por pessoas que não usem o que eu disse contra mim? Precisamos mesmo é dos clichês e eu admito que anseio. Anseio por olhares e atenção que não seja direcionada a mim por pena mas porque é agradável estar comigo. Mas se eu não for agradável ? Tantas dúvidas, cruéis. Como espadas de dois gumes cortam os dois lados do meu ser, alma e pensamento. Por que fiz um juramento a qual nem mesmo acreditei ? Se eu desesperançar, não me deixe partir. Faça me sorrir e me lembre que enquanto eu existir minha sina será me apaixonar pelo que deveria ser e espalhar esse dom de palavrear pelo mundo. Talvez algum moribundo resista ao assistir minha conquista e se inspire a viver. Justo eu das pensantes a mais moribunda, morrendo pelo mundo sem antes pedir perdão. Tudo que eu mais quereria é um peito aberto para eu adentrar, me esconder, me afogar. Um peito que dissesse para eu ficar que comigo lá dentro o mundo é menos vazio. E mesmo que fizesse 40 graus na sombra eu quereria para sempre o eterno calor do amar. Os "porquês" seriam vagos se não houvessem mais respostas cabíveis. O desprezo amarga, mas este é assunto para outro texto, este foi devaneio vívido e real por ter lido a mim por ter lido (você) o mundo. Por amar o desconhecido, por poemar, por po(amar)-te e trazer (te) até a poesia de meu ser.      
28 de dezembro de 2014

Maria do mato

Quando fui ao Mato Grosso conheci coisas que nunca tinha visto antes. Hospedei me numa cidadezinha chamada Novo Paraíso que de paraíso só tinha o nome. Adentrando nas redondezas da cidadela visitei uma tia avó que mora numa tapera bem simples. Nunca vi tantos filhos juntos numa só casinha. Umas cem pessoas de filhos e netos à agregados.

Zé é um moço de seus 20 anos que parece ter trinta e poucos, não tem todos os dentes na boca e sua pele é queimada do sol. Ele é casado com Maria que tem 15 anos. 15 anos Maria ? Quinze anos tinha eu quando conheci Maria, casou se aos 13 anos. Mamãe gosta de fotografar e logo quis fotos de todo o mato do Mato Grosso e dos que ali habitam. Maria é como eu não gosta de foto, eu corri mas logo me convenceram e tirar foto com eles. Maria virou as costas ficou emburrada e chorou. Ô Maria, não fica assim. É só uma foto, com fash mas não arranca pedaço.

Ô Maria tão boba, Maria forte e trabalhadeira. Maria que carrega bacia pra buscar água na bica que já sabe fazer remédio com casca de pau e que quer ter um filho pra cuidar. Ô Maria, eu que nem sou branca fico feito neve perto de ti. As meninas do Mato tão fortes perto de mim, apesar de serem franzinas são bem mais fortes que a gorducha branca da cidade e olha que nem sou branca eu só não pego sol.

Tantas Marias pelo Brasil, conheci Maria do mato, parecia bicho que se enconde e nós não somos todos bichos assim como ela ? Todos temos um quê a esconder, uma vergonha e uma falta de costume. Ô Maria seja forte seja bicho seja do mato e mata essa pobreza, corre atrás do que der e viva como quiser. Maria negligenciada tão nova já casada. Sua infância foi roubada pela desesperança do mato que mata todo sertanejo de sol, de fome, de sede, de doença, de chuva que acaba com a roça, de esquecimento.

Marias tão esquecidas, fortes na convalescença. Marias do Brasil, casados com Zés, Antônios, Raimundos e pelo mundo nunca são lembrados são negligenciados sem cuidados. Maria, não sei porque lembrei de ti mas vou colocar você em minhas preces quem sabe Deus te conceda alegria apesar das desigualdades. Cada um tem motivo pra sofrer e sorrir, pobreza não é defeito. Sou tão suspeita pra falar de ti. Fica no teu paraíso que eu de longe lembro que Maria é bicho e toda pessoa também é Maria. Do mato mata as desesperanças e lança no mundo a luz de existir feito água que cai da bica e traz barulho na mata do silêncio de cada coração que pulsa. Ô Maria não chora, ri que o coração melhora e o mundo fica mais colorido, agradece a Deus pela natureza que todo ser tem algo de falido. 
23 de dezembro de 2014

Das divagações cotidianas: emancipação

Uma tarde de quinta-feira como todas as tardes normais de quinta saí de casa e fui a pé até a sala da psicóloga. Sentei me no banco para esperar que ela abrisse o consultório e me recebesse com aquele sorriso enorme que não sai daquela face. Pela primeira vez de todas as sessões não me atrasei. Fiquei ali a encarar aquela porta verde claro com o número dezoito preso nela. Dezoito poderia ser apenas mais um número qualquer mas é o número da minha próxima idade. Daqui a alguns meses terei 18 anos de idade. Dezoito, o número da emancipação. Pelo menos a emancipação formal no meu país. Será que muita coisa vai mudar ? Ou assim como no consultório 18 seria apenas um número ? Com certeza terei mais direitos e deveres legais. Entretanto 18 será minha emancipação apenas se eu aprender nesses 5 meses até a chegada da data a lidar comigo e saber decidir minha vida sem a ajuda dos meus pais. Provavelmente não serei emancipada aos 18 mas nem é isso que eu quero contar a você neste texto. Caro leitor, perdoe me a divagação mas é assim que meu cérebro funciona. Um emaranhado de coisas que aparecem na hora errada e saltam pelos olhos, saem gritados pelo meu silêncio. A vida não está fácil para mim. Sei que para muita gente está pior mas isso não consola a mim. Uma das minhas utopias é a de que as coisas deveriam estar nos seus lugares. Ninguém deveria passar fome, frio, sede, amor. Ah , o amor. Este é a junção metafórica da fome, do frio, da sede. E a saudade é o prato de entrada. E quem sofre de amor não tem sobremesa. Engano meu pensar que o amor era só uma história que me contavam para eu dormir. O amor tira o sono, o sorriso. Mas não falo de qualquer amor. Falo aqui do amor não correspondido. A fome do ser amado, a sede de uma água proibida ou inalcançável, o frio da ausência dos braços quentes da companhia. O frio do coração vazio. A saudade do alento perdido. E a gente sempre imagina que a sorte virá num realejo. Tenho 10 minutos a menos de divagação porque perdi o horário e me atrasei para a sessão. Não consigo cumprir horários, foi no meu atraso que perdi um amor, mas não passei fome, nem sede, frio talvez. A sorte não me apareceu como um realejo. Meu doce alento continua perdido. Contudo aprendi que eu me atrasei mas que agora acertei o relógio e descobri que não tenho tempo para um amor não correspondido. Não me submeto a perder horas de sono por ninguém (amores). Estou emancipada de você, meu bem. Ainda comerei o prato frio da saudade, mas estou saciada. Cheia de você.