19 de fevereiro de 2016

Refúgio

Perdi minha pátria
Bombardearam meu coração
Dilaceraram meu corpo
Me fizeram solidão
Abandonaram minha alma
Se me encontro é em paixão
A flama pela guerrilha
Pelo dilacerar das vísceras
Refugiada emoção
Meu abrigo é verso
Meu refúgio a poesia
Onde homens me abandonam
Me acolho em prosa
Nunca me calem a boca
Com as vozes rotas de minha'lma
Nunca me acolhem os verbos
Mas os versos
Ah esses são para acalentar
2 de fevereiro de 2016

Uma breve estória pré prova

Não ouse dizer que é fácil
Você que já passou por isso
Hoje vivo uma angústia
Vivo o desespero e o desamparo
Não ouse me chamar de sartreana
Nem de longe gosto de Sartre
O fato é que resinificando as palavras
Meus sentimentos não são natos
A prorrogação do ontem
O desespero do agora
O desamparo do depois
Caros seres humanos
A isso me devem vocês
Ao estudo da anatomia
Um desabafo


22 de janeiro de 2016

Game Over


Não tenho mais você pra falar que minha vida está tão bagunçada como era nosso jeito de ser. Não tenho mais sua voz no pé do ouvido me dizendo que vai melhorar. Não tenho mais sua careta quando o suco de limão sai azedo demais. Você nunca gostou da minha bala favorita azedinha mas gostou de mim. Depois meu sabor passou a ser forte demais para você e o seu doce já não era mais tão doce. Seu beijo não era mais seu beijo. Seu eu não era mais você. Aí eu percebi que eu que já estava tão perdida que perdi você para suas próprias dúvidas. Perdi você para as bobagens, as brigas, as amarguras. Perdi você para eu mesma, afinal, ninguém é obrigado a aturar depressão alheia. E você meu bem, nunca foi tão altruísta quanto eu precisava.


30/05/2015


19 de janeiro de 2016

O Perfume


Depois de ter lhe declarado minha paixão perguntou me: —Como é que se sente quando me aproximo? —Aos 14 anos escalei pela primeira vez com meu pai a Serra da Canastra. Quando chegamos ao topo senti meu corpo envolvido pelos braços do ar. Um doce cheiro habitava meu íntimo. Aquele vento era meu alento, batia me no rosto e ardia, não só a pele, mas a emoção por dentro. O gélido ar incendiava meu coração. O frio arrepiava meus pelos e meu nariz doía com as chicoteadas dos cabelos em minha face. Me dava prazer aquela dor de cansaço. Sentia me mais perto de Deus, envolvida pelo abraço dos anjos perfumados. —É assim que se sente quando me aproximo? —Sim, é como se trouxesse todas as sensações do mundo com teu cheiro.

7 de dezembro de 2015

Lembrança



Acordou num dia como qualquer outro o moço do sorriso lindo e dos lábios carnudos. 

- Gostosa! - gritou, me ressentia com como ele falava comigo, sempre me deixando sem graça. 
Ah, o amor é dessas coisas bestas que a gente não entende. Dia vai e dia vem e os olhos deles, dos meus dois melhores amigos, se cruzaram. Amor na certa. Todo dia vai e vem e a baixinha e o grandão sorriam como duas crianças ao ouvir uma piada. Aquele amor cruzado não concretizado me dava pena. Por que será que a pequena não tinha pulso para agarrá lo com a vontade e força de nunca mais soltar? 

Lembro bem de quando ele gritava meu nome, eu morria de vergonha. Os seus abraços apertados e o fato de minha amiga de infância ser apaixonada por ele não me impediu de amá lo. Mas não o amei como ela, é só que ele sempre teve um jeitinho de me fazer sorrir. Deus me mostrou que se hoje eu sorrio mais é porque me lembro que ele que tanto gostava de sorrir teve tão pouco tempo... Sua beleza era genial, mais do que física mas que vinha de dentro. As vezes que perdi de te-lo beijado foi por respeito ao amor da sua vida afinal ele era tão bonito e radiante. Um dia ele descobriria que a amava também. Hoje posso apenas regar as lembranças no seu túmulo e ser grata aos seus sorrisos que ainda me fazem sorrir... 

Em memória de um grande amigo. 
(Eu sei que ele amaria essa fotografia, ele amava os bichos como ninguém.)
5 de julho de 2015

Trecho anti poético

   
   
     Estou sem inspiração para poesia. Vou mudar minha playlist. Nada de músicas românticas, nada de poesia. Quem sabe assim me distancio do amor que me lembra desafeto. Quem sabe a falta do meu amor deixa de me fazer falta ? Deixa pra lá essa parada de que nasci pra ser poeta. Nasci pra ser escrava das palavras, também da ausência delas em boca alheia. Deixa pra lá esse negócio que faz meu peito palpitar. Deixa de lado esse pulsar que pula tanto no peito que causa até repulsa. Deixa a boca que deveria se unir a minha beijar outras faces. Deixa esse negócio de que desamor é inspiração. Não quero ser poeta. Quero é ser amada. E quanto à minha sina de florescer poesia... Deixa, deixa ser bônus de uma vida dois, completa, que ainda aguarda existir. Deixa essa sina pra trás, larga esse amor, essa poesia sofredora. Não se plante em meus pés. Deixa pisar em falso, se cair a gente aprende a levantar. Só não deixa escapar, não deixa eu escapar das suas mãos enquanto eu puder ser sua. Porque quando o sentimento cura só sobra mesmo a sina. Uma conversa de bar, uma prosa sem poesia, uma ausência de rima.
24 de maio de 2015

Destino


Toc toc toc. Bateram na porta do seu coração. Flores? Foi engano, não acharam o que procuravam. Uma pena. Talvez se ao menos tivessem entrado para tomar uma xícara de chá tivessem encontrado mais do que o que procuravam. Mas o destino foi generoso e livrou a pobre moça de mais um dia de coração despedaçado e alma depenada. Continuou sozinha mas pelos menos completa de si mesma e é claro de muitos chocolates. Floreou a si mesma com as flores que não lhe pertenciam. Foi feliz, sozinha. 
18 de maio de 2015

Segunda-feira



Põe a roupa de domingo e vá ser feliz, ouvi meu pensamento. Uma pena ser uma segunda feira quente e nebulosa. Talvez a neblina viesse de dentro e não de fora. Vesti meu uniforme e segui pelo caminho mais lento, queria ocupar meu coração do que só ocupa a paciência. Cheguei ao trabalho e mais uma vez como tantas meus olhos se encontraram com os dele e nem ao menos um bom dia. Só aquele choque elétrico que me atravessava toda vez que eu o sentia se aproximar. Uma pena não ser um domingo, talvez a roupa me encorajasse a dizer olá. Mas por enquanto apenas o olhar me basta para contar mais um caso de amor não dito
15 de maio de 2015

Onde ela está ?


Um sonho que se chama acreditar. Onde ela está? Sua nobre companhia, sua doce alegria, sua eterna nostalgia, suas utopias. Onde estará ela? É ela que eu quero para mim ? Parto me se não parte dela em mim existir. Parte meu coração quando ela parte e fragmentos de mim são apenas fragmentos. Sem ela o mundo é só mundo. Nada mais há do que uma realidade fatual. É fato que meu mau jeito com ela a fez dissipar mas tanto dela preciso. Volta pra mim criatividade, traga contigo utopias, sonhos e tudo que me leve desse mundo breve. Venha para eu poder dizer ANTES ARTE DO QUE NUNCA, e colorir os dias da minha existência com versos de poesia. Cria tive idade mas a idade dela é infinita basta encontrar. Ficará pois não é finda mas há de se encontrar...
6 de maio de 2015

Alheios constantes





Compartilhar me ei ...
Com os ventos do insólito destino
Alheia de mim desatino 
Inconstante ressoa meu verso 
Meu verbo dissipa ao léu do mundo 
Meu anseio moribundo 
Desata o que não é meu 
Alheio de mim resvala 
Resgata me a canção do mundo 
Da terra retoma me as vontades 
As mais belas saudades 
Dos velhos desejos
Incendeia me aspirações 
Desassocia me a regra de ser 
No instante outrora sou 
No agora o que fui e serei 
Das virtudes me resguardo 
Do eterno anseio ei de ser
Cheia de si no vazio de mim
Já não me comporta o mundo 
E me compete viver 
Uma vida alheia de contantes 
Instantes do agora
Ao remido porém