10 de abril de 2016

Luar

Meu desatino é soluço
Um simples eco
Um verso irresoluto
Um amor possesso
Meu destino inconcluso
Meu andar incerto
Em meio aos tropeços
Um olhar soturno
Um sentimento absurdo
Luar de desabrochar flor
O teu profano olhar

30 de janeiro de 2016
26 de fevereiro de 2016

Na porta dos meus medos

       

Ela vem bem pertinho pronta para derramar e molhar minha face, algo não a deixa escorrer. Retomo o controle. Respiro fundo, está tudo bem. Não preciso sofrer por antecipação. Mesmo assim eu sofro. Sofro de ansiedade por não ser metade do inteiro que pertence só ao meu âmago. Aquele que ainda não permiti que desabrochasse, ou que por falta não sei de quê decidiu ficar guardadinho esperando a porta se abrir. Uma porta fechada pela tranca do medo, o medo do desatino, o medo de ser quem eu sinto, o medo de deixar de ser metade, o medo de viver. Baque! A porta é encostada mas ainda há uma fresta por onde meus sonhos escorrem e são devorados pelos medos. Ah, esse bicho imundo devorador de nuvens de algodão. Na porta dos meus medos é que me encontro, pronta para encará los. Mas não com força suficiente. Só eu tenho as chaves desses labirintos, mas sou hipermetrope, não vejo os contornos da fechadura, não encontro a chave certa para aprisionar meus medos na caixa de inúteis. Tenho medo do escuro, tenho fotofobia com o excesso de claridade. Tenho medo de quem está morto e desconfio de quem está vivo. Freud explica? Como alcançar as chaves da prisão da própria mente? Como encontrar a saída? Bom, se eu não consigo abrir a porta então é melhor pular a janela do quarto andar dessa cidade quente onde o único inverno é do meu coração.
19 de fevereiro de 2016

Refúgio

Perdi minha pátria
Bombardearam meu coração
Dilaceraram meu corpo
Me fizeram solidão
Abandonaram minha alma
Se me encontro é em paixão
A flama pela guerrilha
Pelo dilacerar das vísceras
Refugiada emoção
Meu abrigo é verso
Meu refúgio a poesia
Onde homens me abandonam
Me acolho em prosa
Nunca me calem a boca
Com as vozes rotas de minha'lma
Nunca me acolhem os verbos
Mas os versos
Ah esses são para acalentar
2 de fevereiro de 2016

Uma breve estória pré prova

Não ouse dizer que é fácil
Você que já passou por isso
Hoje vivo uma angústia
Vivo o desespero e o desamparo
Não ouse me chamar de sartreana
Nem de longe gosto de Sartre
O fato é que resinificando as palavras
Meus sentimentos não são natos
A prorrogação do ontem
O desespero do agora
O desamparo do depois
Caros seres humanos
A isso me devem vocês
Ao estudo da anatomia
Um desabafo


22 de janeiro de 2016

Game Over


Não tenho mais você pra falar que minha vida está tão bagunçada como era nosso jeito de ser. Não tenho mais sua voz no pé do ouvido me dizendo que vai melhorar. Não tenho mais sua careta quando o suco de limão sai azedo demais. Você nunca gostou da minha bala favorita azedinha mas gostou de mim. Depois meu sabor passou a ser forte demais para você e o seu doce já não era mais tão doce. Seu beijo não era mais seu beijo. Seu eu não era mais você. Aí eu percebi que eu que já estava tão perdida que perdi você para suas próprias dúvidas. Perdi você para as bobagens, as brigas, as amarguras. Perdi você para eu mesma, afinal, ninguém é obrigado a aturar depressão alheia. E você meu bem, nunca foi tão altruísta quanto eu precisava.


30/05/2015


19 de janeiro de 2016

O Perfume


Depois de ter lhe declarado minha paixão perguntou me: —Como é que se sente quando me aproximo? —Aos 14 anos escalei pela primeira vez com meu pai a Serra da Canastra. Quando chegamos ao topo senti meu corpo envolvido pelos braços do ar. Um doce cheiro habitava meu íntimo. Aquele vento era meu alento, batia me no rosto e ardia, não só a pele, mas a emoção por dentro. O gélido ar incendiava meu coração. O frio arrepiava meus pelos e meu nariz doía com as chicoteadas dos cabelos em minha face. Me dava prazer aquela dor de cansaço. Sentia me mais perto de Deus, envolvida pelo abraço dos anjos perfumados. —É assim que se sente quando me aproximo? —Sim, é como se trouxesse todas as sensações do mundo com teu cheiro.

7 de dezembro de 2015

Lembrança



Acordou num dia como qualquer outro o moço do sorriso lindo e dos lábios carnudos. 

- Gostosa! - gritou, me ressentia com como ele falava comigo, sempre me deixando sem graça. 
Ah, o amor é dessas coisas bestas que a gente não entende. Dia vai e dia vem e os olhos deles, dos meus dois melhores amigos, se cruzaram. Amor na certa. Todo dia vai e vem e a baixinha e o grandão sorriam como duas crianças ao ouvir uma piada. Aquele amor cruzado não concretizado me dava pena. Por que será que a pequena não tinha pulso para agarrá lo com a vontade e força de nunca mais soltar? 

Lembro bem de quando ele gritava meu nome, eu morria de vergonha. Os seus abraços apertados e o fato de minha amiga de infância ser apaixonada por ele não me impediu de amá lo. Mas não o amei como ela, é só que ele sempre teve um jeitinho de me fazer sorrir. Deus me mostrou que se hoje eu sorrio mais é porque me lembro que ele que tanto gostava de sorrir teve tão pouco tempo... Sua beleza era genial, mais do que física mas que vinha de dentro. As vezes que perdi de te-lo beijado foi por respeito ao amor da sua vida afinal ele era tão bonito e radiante. Um dia ele descobriria que a amava também. Hoje posso apenas regar as lembranças no seu túmulo e ser grata aos seus sorrisos que ainda me fazem sorrir... 

Em memória de um grande amigo. 
(Eu sei que ele amaria essa fotografia, ele amava os bichos como ninguém.)
5 de julho de 2015

Trecho anti poético

   
   
     Estou sem inspiração para poesia. Vou mudar minha playlist. Nada de músicas românticas, nada de poesia. Quem sabe assim me distancio do amor que me lembra desafeto. Quem sabe a falta do meu amor deixa de me fazer falta ? Deixa pra lá essa parada de que nasci pra ser poeta. Nasci pra ser escrava das palavras, também da ausência delas em boca alheia. Deixa pra lá esse negócio que faz meu peito palpitar. Deixa de lado esse pulsar que pula tanto no peito que causa até repulsa. Deixa a boca que deveria se unir a minha beijar outras faces. Deixa esse negócio de que desamor é inspiração. Não quero ser poeta. Quero é ser amada. E quanto à minha sina de florescer poesia... Deixa, deixa ser bônus de uma vida dois, completa, que ainda aguarda existir. Deixa essa sina pra trás, larga esse amor, essa poesia sofredora. Não se plante em meus pés. Deixa pisar em falso, se cair a gente aprende a levantar. Só não deixa escapar, não deixa eu escapar das suas mãos enquanto eu puder ser sua. Porque quando o sentimento cura só sobra mesmo a sina. Uma conversa de bar, uma prosa sem poesia, uma ausência de rima.
24 de maio de 2015

Destino


Toc toc toc. Bateram na porta do seu coração. Flores? Foi engano, não acharam o que procuravam. Uma pena. Talvez se ao menos tivessem entrado para tomar uma xícara de chá tivessem encontrado mais do que o que procuravam. Mas o destino foi generoso e livrou a pobre moça de mais um dia de coração despedaçado e alma depenada. Continuou sozinha mas pelos menos completa de si mesma e é claro de muitos chocolates. Floreou a si mesma com as flores que não lhe pertenciam. Foi feliz, sozinha. 
18 de maio de 2015

Segunda-feira



Põe a roupa de domingo e vá ser feliz, ouvi meu pensamento. Uma pena ser uma segunda feira quente e nebulosa. Talvez a neblina viesse de dentro e não de fora. Vesti meu uniforme e segui pelo caminho mais lento, queria ocupar meu coração do que só ocupa a paciência. Cheguei ao trabalho e mais uma vez como tantas meus olhos se encontraram com os dele e nem ao menos um bom dia. Só aquele choque elétrico que me atravessava toda vez que eu o sentia se aproximar. Uma pena não ser um domingo, talvez a roupa me encorajasse a dizer olá. Mas por enquanto apenas o olhar me basta para contar mais um caso de amor não dito