24 de janeiro de 2017

Carta ao meu futuro noivo

Querido futuro noivo,

No meu mundo cinza eu penso em ti e tudo fica colorido. Até o ar parece mais puro. Desde que te conheci as coisas são mais claras e eu até parei de reclamar tanto. Aprendi a ser mais feliz e principalmente aprendi a me aproximar mais de Deus. Aprendi tantas coisas contigo, poderia aprender mais pelo resto dos meus dias. Você tem todas as características que eu vejo em um homem cristão que possa me fazer a mulher mais feliz do mundo. Mas eu sou flor e preciso florescer ainda mais fé, confiança, perdão, amabilidade, paciência e todos os outros frutos do Espírito Santo. Para que eu possa te fazer igualmente feliz eu peço "Deus, me ajude a melhorar". Graças dou ao que me Salvou e que me guia em todas as situações da minha vida e a Ele entrego meu coração para que me guie quiçá até o seu caminho. Ei moço, pode demorar mais um pouco até que eu esteja pronta, mas não se sinta só. Quando eu estiver pronta você será o homem mais feliz do mundo. Saiba que antes mesmo de te conhecer eu já te amo, te cuido em pensamento e oro para que Deus cuide do seu coração. Que Ele não te deixe tropeçar na defraudação emocional, e que te abrace todos os dias para não se sentires sozinho, que Ele conforte toda a nossa carência e controle nossos corações ansiosos. E quando o dia certo chegar meu bem... Poderemos nos abraçar e dizer palavras de gratidão a Deus e aos homens testemunhar que esperar nEle é o melhor caminho e o único pelo qual vale a pena.

Com carinho,

Sua futura noiva.

4 de novembro de 2016

Antes de morrer eu ...

Gostaria de parar de perder tempo pensando no tempo perdido que perdi pensando no tempo que passou. É pra exagerar mesmo, porque o tempo passa e a gente sempre para pra pensar no tempo que perdeu perdendo tempo com coisas fúteis. E é fútil não pensar, é fútil deixar passar os pequenos prazeres da vida, como sentir o vento no rosto ao andar de bicicleta. 

Pensei sempre em coisas grandiosas. Lembro me de quando eu era criança e queria ver televisão até mais tarde e meu pai não deixava, logo me mandava dormir. E eu desapontada pensava, quando será que isso vai mudar? Então um dia depois das broncas sobre dormir cedo eu disse que criaria um celular com televisão e ele não poderia mais reclamar que eu atrapalhava eles a dormir enquanto via TV até tarde. Anos depois é anunciado o primeiro celular com televisão. E eu nem sequer cheguei a ter um. Mas na minha mente infantil, ter um telefone com TV seria uma coisa muito grandiosa. 

Soube me encantar pelo infinito. Gosto de olhar as estrelas e contemplar a Lua. Mas sabe, às vezes eu me esqueço que há esperança no céu. E me falta memória para lembrar que sentir Deus é sentir todo o mundo em sua plenitude, é se encantar com o desabrochar de uma flor e com o vermelho da acerola e o laranja da pitanga. A saber que todas essas coisas Ele fez, e que tudo coopera para aqueles que O amam,  

Pensei sobre o tempo. Ah, o tempo! O tempo é menino travesso, que corre solto sem eira nem beira, que apronta quando a gente nem está prestando atenção. Esse tempo chega para mostrar que o que já foi presente passou. Passou a agonia daquele anseio de querer ser alguma coisa. Mas outras aflições virão, pra mostrar que somos capazes de vencer obstáculos, pra mostrar que enquanto estivermos vivos não podemos padecer a uma morte de esperança, e até mesmo para nada mostrar. Mas dEle é o tempo, e não devo me afligir por coisas vãs, pois o tempo não cabe a mim. 

Procurei coesão onde nem havia coerência. Assim como esses parágrafos sem coesão às vezes parece que é a vida. Uma vida assim incoesa, sem junção. Uma vida ausente de esperança. E sabe leitor, eu sempre pensei que antes me morrer eu quisesse pular de paraquedas, plantar uma árvore, visitar um lugar distante como o Himalaia e o Evereste. Mas, antes de morrer eu quero mesmo é viver. E viver é fazer sentido, encontrar um lugar no mundo. E talvez eu só me sinta assim habitando no coração de Deus. Mas enquanto eu não encontrar o meu lugar no mundo, vou fazer da esperança minha morada. Porque nela, todo mundo tem seu lugar. Quem sabe um dia esses parágrafos se encontrem em algum texto que faça mais sentido.   


12 de setembro de 2016

Ampliando

A distância ampliada pelo medo
É como me sinto em relação a você
Medo do que ?
Do que vão achar de nós?
Devemos nos importar?
Eu me importo que você me olhe e não acene
Me importo com meu rubor
Me sufoca seu abraço doloso
Aquele que tem intenção mas não tem coragem
Não sei se caio
Se meu desvaio é você
Não sei se me permito te ter
Te ver em meu destino
Ser tu meu desatino
Por enquanto só pensamento
Só as intenções que você tem
Aqueles que pensas de quaisquer mulheres
Elas não se enganam
Meu engano é você

17/02/2016

10 de setembro de 2016

Um monólogo qualquer


Ver você me magoa, dói lá no fundo. Ver que você tem feridas dói muito. Eu sei que você está doendo por mais que diga que não. Eu sei que está, eu sinto, eu vejo, eu percebo. Percebo que você me evita e que já não é mais o mesmo. Dói muito não poder fazer nada por nós. Dói saber que foi um erro parar de pedir a Deus para que Ele não me deixasse confundir meus sentimentos. Dói saber que sempre foi questão de tempo até eu começar a sentir uma coisa diferente por você. Essa coisa que eu não sei o que é mas que me magoa, me corta por dentro. Eu só queria deixar de sentir e de falar nesse monólogo. Só queria que você entendesse minhas metáforas. Só queria não ter me defraudado com tantos coisas. E nem foi o fato de você me ajudar quando precisei, naquela época eu soube não me defraudar emocionalmente. Mas agora... não sei o que aconteceu comigo que eu me perdi de mim mesma. E parece que eu me encontro em você mas quando você vai embora ou me afasta e se irrita comigo dói muito. E eu não quero mais te ver, mas é tão inevitável. Todos os meus melhores amigos são os seus e eles me amam e se importam comigo. E eu sei que você também se importa e eu também me importo com você. Sei que agora é hora de dizer adeus, de não deixar isso crescer em mim. Eu poderia pensar que é a depressão voltando, mas eu estou tomando todos os remédios certinho, eu juro que estou. É difícil ver você pisando em ovos com todo mundo e eu tendo que fazer o mesmo com você. Odeio essa falta de naturalidade entre nós. E eu me odeio por ter sido a garota desajuizada que se defrauda pelo fato de ser sido fraternalmente amada. Detesto não poder mais ser quem sou sem máscaras com você. E eu sei que você já não é mais o mesmo para mim. Agora você é a incógnita que eu sinto. E eu peço a Deus que Ele encontre o resultado dessa variável. 
28 de agosto de 2016

Uns braços

Umas mãos
Uns trapos velhos
Quinquilharias da vida
A vida alheia convencida
Das realidades precavidas
Mais trapos velhos
Uns retalhos
Fronha de travesseiro
Na maciez de uns cabelos
Aurora da vida
Ela sonhava acordada
De tanto chorar se deitava
Se recompunha
Voltava a sorrir
Feito criança
Saltitava só de lembrança
Voltava a ser soturna
Apertava com força
O travesseiro
Aqueles olhos noturnos
Relembravam na
Humor soturno
Aconchegava se
No travesseiro
Um abraço sem braços
Desejou que ele tivesse
Uns braços
Cor de jambo, suaves
Os braços do moreno
Daquela cor de pecado
Para embalar contra o peito
Desfazer tudo que havia feito
Perdoar o adeus
Uns retalhos para revestir
Cada descoberta carnal
Uns trapos velhos para cobrir
Cada lapso banal
Uns braços
Aqueles braços
Fortes mantas de retalhos
Agasalho
Para quem sente frio
Não seria pena
Se o travesseiro emitisse
Uns braços


Escrito em: 25 de julho de 2015.

18 de junho de 2016

O peito

O peito salta
Pula louco
Eufórico pulsa
Empurra, esmaga
Esse peito louco
Anda nu e solto
Sem rédeas pisa falso
Nas cordas da vida
Pronto pra desabar
Pra cair da corda bamba
Espatifar se no chão
Rachando e expondo
Um coração
Que de tanto pulsar
Palpita por ultima hora
Em sua hora de acabar

18 de janeiro de 2016.

sexteto em verso

Amo teus preceitos
Tua risada maluca
Sua constante busca
Pena que você não me enxerga
Acho que já me encontrou
Perdida em você


18/02/2016
14 de junho de 2016

Quando deixei o ir ...


Te via entre os lampejos dos meus olhos embaçados. Você acenando um adeus tímido com gosto de saudade e eu chorando por dentro por não ter aproveitado o seu último sentimento (por mim). Como a água escorre por entre os meus dedos você escorreu do meu coração. Como pude deixá lo escapar?Mas sabe, estive pensando sobre a última vez que nos vimos. Não percebi os seus sinais que agora parecem ser tão óbvios para mim. A gente sempre foi o escape um do outro. Sempre fomos o motivo do sorriso porque tudo a nossa volta sempre desabava. E nos apegamos ao "nós" para fugir do nosso próprio "eu". Daí tudo ficou claro para mim. Tive que deixa-lo ir porque às vezes a gente precisa aprender a andar sozinho na corda bamba que é a vida. Precisamos olhar para nós mesmos e nos concentrar no que realmente está errado. Precisamos aprender a transbordar a nós mesmos. Precisamos ficar a sós com os nossos sentimentos. Eu preciso. Você precisa. Nós precisamos. Não deixei o ir por puro altruísmo. Não, certamente não foi altruísmo. Por mim eu te prenderia na jaula que é o meu peito pelo tempo indeterminado que eu gostaria que durasse, assim como sempre durou o nosso abraço. E sabe, a cada dia eu te deixo ir um pouco mais. A cada dia sua inconstância se torna mais real. E você vai, vai se afastando da minha mente, dos meus pensamentos. E eu vou te deixando ir, e você vai, vai, vai ... E eu te deixo ir mais e mais. E te deixo para ser livre. Que você voe mas que tenha vontade de voltar. E que volte com novas histórias e ótimas lembranças. Pronto para cultivar novos sentimentos, pronto pra renascer das cinzas que se tornaram os problemas da vida. E eu espero que você tenha aprendido a andar sozinho nessa corda e quero que desaprenda sempre e sempre, para poder reaprender a se equilibrar. Mas deixei - o ir com a intenção de que livre tu sentisses a necessidade de voltar para onde sabes que pode encontrar alento (e aquele brigadeiro de colher que você adora). Olha, mas não é só você que vai... eu também vou. Estou indo, indo, indo... sorrindo para as adversidades e sendo mais resiliente a cada dia. Para ser capaz de voar contigo também preciso ir. E eu voo (do verbo voar). E o deixo ir ...     
6 de junho de 2016

Regador


É muita responsabilidade estar com seu coração nas mãos. É muita responsabilidade te abraçar e ouvir seus suspiros, sua respiração profunda, seus medos, seus anseios e os batuques do seu coração. Te ouvir por inteiro. Mas ouvir o batuque do seu coração acelerar me deixa calma, ouço como música e por enquanto é a melhor melodia que posso sentir. Mas sabe, eu amo sentir tudo isso. E eu espero que Deus me abençoe para eu poder cuidar bem de você enquanto eu puder. Que Deus me dê sabedoria e compaixão para ouvir seus desabafos e me colocar no lugar do seu sofrimento para que eu possa ser o seu colo, o seu ombro amigo, o seu aconchego. Que o Criador nos dê muitos momentos felizes como um dia simples no parque deitados num lençol vermelho contemplando o céu. Nada de muito majestoso, afinal nós sempre nos encantamos com a simplicidade. Sabemos rir dos insetos e sentir o vento no rosto agradecendo pelo frescor da manhã e pela beleza da luz do sol. Gosto de observar seus trejeitos e como você se comporta com a minha mal criação. Tenha paciência pois estou disposta a ser aquela pessoa que ajuda a segurar a sua barra e sorrir com você enquanto houver dentes na boca. E mesmo que os dentes caiam e as cortinas fechem, que a gente possa sorrir da banguela um do outro. Quero que sejas meu raio de sol todas as manhãs para que eu sinta o raiar do dia sob meu rosto com um beijo quente. Apesar de ainda não saber o que sinto por você sei que sinto muito, sinto tanto que transborda, sinto que me acalma e que me agita por dentro. Sinto que posso contar com você. Sinto que sinto. Espero sentir muito mais e por muito tempo. Espero te sentir muito além de beijos e sempre mais que abraços. Quero sentir sua alma e cuidar dela como se fosse uma flor. Quero te regar até que você deixe de ser uma avenca e eu tenha que destruir as paredes porque você se tornou em mim um carvalho majestoso e é impossível ignorar um carvalho. E se você for mesmo uma planta, se plante em mim. Seja minha sombra, seja meu amigo, seja meu amor.

Intertextualidade com o texto de Caio Fernando Abreu - Para uma avenca partindo 
10 de maio de 2016

Zona de segurança

Ei moço, não se aproxime com esse seu riso frouxo
Fique longe com esse seu olhar travesso
Não se mecha com esse seu cheiro manso
Não me encoste com essa boca macia
Não me abrace com o seu calor
Longe de mim, moço!
Perto de você sou desatino
Desato com seu jeito menino
Danço com a tua risada
Descanso em suas palavras
Mas ande!
Vá para longe
Longe com seu despertar em mim
Desate esse nó desesperador
Arranque seus laços fora
Corte suas cordas de mim
Quero fugir
Sei que você me desperta
Acolhe - me e alenta - me
Mas moço, eu me prefiro sorrindo
Me prefiro livre desse teu afeto
Porque além de incerto é egoísta
Seu moço, sai pra lá com seu desajeito
Esse seu defeito de ser mais orgulho que amor
Isso vai me sufocar
Sou capaz de esquecer seu cheiro
Encontrar outros beijos
Olhar outros olhares
Sem que isso me consuma
Sem que eu assuma não ser eu mesma
Para caber em um relacionamento desgovernado
Longe da zona de segurança
Que é amar a mim mesma incondicionalmente


{Porto Velho, 10 de abril de 2016.}