23 de dezembro de 2014

Das divagações cotidianas: emancipação

Uma tarde de quinta-feira como todas as tardes normais de quinta saí de casa e fui a pé até a sala da psicóloga. Sentei me no banco para esperar que ela abrisse o consultório e me recebesse com aquele sorriso enorme que não sai daquela face. Pela primeira vez de todas as sessões não me atrasei. Fiquei ali a encarar aquela porta verde claro com o número dezoito preso nela. Dezoito poderia ser apenas mais um número qualquer mas é o número da minha próxima idade. Daqui a alguns meses terei 18 anos de idade. Dezoito, o número da emancipação. Pelo menos a emancipação formal no meu país. Será que muita coisa vai mudar ? Ou assim como no consultório 18 seria apenas um número ? Com certeza terei mais direitos e deveres legais. Entretanto 18 será minha emancipação apenas se eu aprender nesses 5 meses até a chegada da data a lidar comigo e saber decidir minha vida sem a ajuda dos meus pais. Provavelmente não serei emancipada aos 18 mas nem é isso que eu quero contar a você neste texto. Caro leitor, perdoe me a divagação mas é assim que meu cérebro funciona. Um emaranhado de coisas que aparecem na hora errada e saltam pelos olhos, saem gritados pelo meu silêncio. A vida não está fácil para mim. Sei que para muita gente está pior mas isso não consola a mim. Uma das minhas utopias é a de que as coisas deveriam estar nos seus lugares. Ninguém deveria passar fome, frio, sede, amor. Ah , o amor. Este é a junção metafórica da fome, do frio, da sede. E a saudade é o prato de entrada. E quem sofre de amor não tem sobremesa. Engano meu pensar que o amor era só uma história que me contavam para eu dormir. O amor tira o sono, o sorriso. Mas não falo de qualquer amor. Falo aqui do amor não correspondido. A fome do ser amado, a sede de uma água proibida ou inalcançável, o frio da ausência dos braços quentes da companhia. O frio do coração vazio. A saudade do alento perdido. E a gente sempre imagina que a sorte virá num realejo. Tenho 10 minutos a menos de divagação porque perdi o horário e me atrasei para a sessão. Não consigo cumprir horários, foi no meu atraso que perdi um amor, mas não passei fome, nem sede, frio talvez. A sorte não me apareceu como um realejo. Meu doce alento continua perdido. Contudo aprendi que eu me atrasei mas que agora acertei o relógio e descobri que não tenho tempo para um amor não correspondido. Não me submeto a perder horas de sono por ninguém (amores). Estou emancipada de você, meu bem. Ainda comerei o prato frio da saudade, mas estou saciada. Cheia de você. 

2 comentários:

Evillyn Guimarães disse...

Engano meu pensar que o amor era só uma história que me contavam para eu dormir. O amor tira o sono, o sorriso...

Jardineira disse...

Obrigada, florzinha por ler. Volte sempre :*

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